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Blumenau sofre um choque de realidade com hospitais lotados e nova quarentena

Pode-se acreditar em tratamento precoce sem base científica contra a Covid-19. Tomar ivermectina, azitromicina, hidroxicloroquina. Duvidar do isolamento social e da necessidade de usar máscaras.
Pode-se falar em isolamento vertical, no mero achatamento da curva ou em imunidade de rebanho como estratégia viável. Há quem jure que a Covid-19 mata menos que o H1N1.

Num país livre, é possível criticar o isolamento social, dizer que é coisa de comunista, de quem não quer trabalhar. Pode-se achar que a China criou tudo isso só para prejudicar o Ocidente.
No limite, um sujeito pode até tomar remédio para cachorro acreditando que se imuniza. Não deve, mas pode.

O que não pode é alguém com acesso a rádio, TV e jornal, blog, site e mídia social, às avaliações de virologistas, infectologistas, epidemiologistas, matemáticos, estatísticos, gente de humanas, de exatas e de naturais, às lives do prefeito e do governador, às entrevistas do Mandetta e do Anthony Fauci, da Angela Merkel, da Organização Mundial de Saúde (OMS) e até do Papa… Dizer-se surpreso com o que está acontecendo em Santa Catarina neste mês de julho.
UTIs lotadas e o consequente retorno às medidas drásticas de isolamento em Blumenau e no Médio Vale são um duro choque de realidade. Todo mundo com alguma experiência em pandemia, prática ou científica, avisou que uma quarentena interrompida sem testes suficientes para monitorar surtos levaria a novos fechamentos generalizados. Absolutamente todos os especialistas sérios avisaram que uma curva ascendente de casos era prenúncio do colapso hospitalar.

Blumenau e Santa Catarina deram de ombros. Permitiram que opiniões irresponsáveis envenenassem a resposta à doença. Acreditaram em atalhos, mas eles não existem nesta guerra.
​Passaremos por tudo outra vez, mas com a morte rondando, hospitais cheios, governo e prefeituras gastando o que não temos para dar conta de tantos contaminados.

Empregados faltam ao trabalho, porque doentes. Consumidores desaparecerão das ruas, ou porque está tudo fechado, ou porque têm medo. Empresários sofrerão. E demitirão trabalhadores que sofrerão mais. Quem já está sem trabalho, nem se fala.

É possível estancar o ferimento
​Itália e Espanha já ensinaram que é possível estancar o ferimento depois de aberto. Não estamos condenados. Mas só haverá saída duradoura se ideias estapafúrdias, sem aval do (limitado) conhecimento científico disponível até o momento, ganharem a irrelevância que merecem.

Podemos reverter a curva de casos, internações, mortes. E depois de suprimir o vírus a um estágio em que seja possível caçá-lo com testagem, retomar parte da vida normal. Aos poucos.
Depois de tudo o que passamos e passaremos, de tudo o que já deveríamos ter aprendido com a experiência empírica, quem insiste em jeitinho será cúmplice da tragédia.

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