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Programa de inovação aberta une startups e indústria da moda

A indústria da moda está entre os principais motores econômicos do mundo. Com receita global em torno de US$ 3,5 trilhões anuais, emprega 75 milhões de pessoas. O setor, porém, está entre os mais prejudiciais ao meio ambiente. Responde por cerca de 8% das emissões de gases de efeito estufa e é o segundo maior consumidor de água doce do planeta.

Pois, foi em busca de soluções para os complexos (e históricos) problemas dessa cadeia que as empresas 221 Consultoria, TS Studio e Neo Ventures se uniram para criar o Fashion Hub, um canal de inovação aberta que conecta grandes companhias e startups para o desenvolvimento de projetos em prol de resoluções de impacto positivo.
“O movimento de sustentabilidade na moda é uma necessidade e não uma tendência. É uma indústria que tem um impacto ambiental muito forte, de ponta a ponta, desde a produção da fibra até a entrega para o consumidor final”, diz Rodrigo Santos, um dos diretores do projeto. “Entendemos que era importante criar no Brasil uma plataforma única e colaborativa de desenvolvimento de inovação para essas soluções de sustentabilidade. Esse mundo ESG, da responsabilidade socioambiental, não pode estar desconectado da inovação. Na verdade, as soluções nascem a partir da inovação.”

Fundado em setembro de 2020, o Fashion Hub, atualmente, tem como mantenedores o Grupo Rovitex, o Grupo SOMA, a Incofios, o Shopping Parque da Cidade, a The LYCRA Company e a Vicunha.

“Passamos dois anos tentando iniciar esse projeto, evangelizando o mercado. Precisávamos mostrar para as empresas que a inovação aberta, apesar de muitas delas já estarem em busca de iniciativas, seria algo que traria resultados muito mais ampliados, com possibilidade de interação inclusive com outros players e até entre elas, e com a criação de oportunidades, sejam elas de novas frentes de negócios ou de melhorias de processos”, aponta a também diretora Tereza Cristina Horn.

Outras vantagens de se apostar na inovação aberta na cadeia da moda, destacam os idealizadores do programa, são investimentos mais baixos; democratização, pois permite que médias empresas também se envolvam no processo; projetos mais ricos, afinal, conta com várias cabeças pensando juntas; menor distanciamento dos grupos do seu core business e desenvolvimento de soluções ágeis, com encurtamento de trajetórias que, muitas vezes, poderiam causar gigantescos desperdícios.
Apesar disso, Tereza Cristina faz uma ressalta: “Para ter inovação aberta é preciso que as lideranças, a média gerência e a empresa como um todo estejam envolvidas para recebê-las. Isso abre a empresa de forma muito maior e para novidades que geralmente nem seriam consideradas.”

Ciclo de inovação
Na prática, a dinâmica do ciclo de inovação proposto pela iniciativa segue algumas etapas, com duração total de seis meses. Nas primeiras são realizadas o mapeamento das dores das companhias – as principais temáticas são economia circular, novos materias, gestão de água e varejo inteligente –, determinadas quais as prioridades e desenvolvidos os desafios que serão propostos para o ecossistema de inovação.
Em seguida é realizada a chamada pública e início das inscrições para prospecção de soluções, seja por meio de startups, empresas de base tecnológica e projetos de universidades, entre outros potenciais parceiros – não apenas do Brasil –, e, ao mesmo tempo, a busca ativa por startups que tenham mais aderência com os desafios propostos.

Os próximos passos são: seleção dos participantes (são escolhidas até 3 propostas de solução para cada desafio mapeado), imersão para refinamento do escopo de desenvolvimento das provas de conceito (POCs), a fim de verificar a viabilidade da solução, e apresentação dos resultados em um Pitchday.
Depois disso, ocorre a definição de quem seguirá no programa, a implementação das POCs junto às mantenedoras, com a definição dos modelos de parceria e o melhor caminho para escalar as soluções, e, por fim, o Demoday, evento que marca o encerramento do ciclo – o Fashion Hub continua acompanhando os projetos e monitorando os resultados alcançados.

O primeiro ciclo foi realizado em 2020 e contou com a apresentação de quatro desafios, das empresas Audaces (aumentar a taxa de sucesso de uma coleção de moda, reduzindo o desperdício e garantindo boas vendas), Vicunha (ser percebida por sua qualidade, sustentabilidade e inovação), The LYCRA Company (encontrar novos destinos para os resíduos da produção de forma sustentável e rentável) e Shopping Parque da Cidade (criar ineditismo com experiências alinhadas à sustentabilidade). Na ocasião, foram 51 organizações inscritas. Destas, 12 foram para o processo de imersão. Desse grupo, saíram as cinco que tiveram os projetos implementados.
Desta vez, os desafios propostos são os seguintes: Grupo Rovitex – Como obter assertividade no mix de produtos?, Grupo SOMA – Como reciclar as sobras têxteis de corte em larga escala, indo além da desfibragem?,

Incofios – Como produzir peças de manutenção de maneira inteligente e com menor custo?, The LYCRA Company – Como reduzir o consumo de água nas operações? e Vicunha – Como mensurar e otimizar as diversas perdas que ocorrem no processo produtivo?

Este ano, o programa ainda tem uma novidade, o Open Innovation Chanel. Como explica Santos, a partir deste canal, as startups que tiverem uma solução para a moda sustentável, mesmo que não possuam sinergia com nenhum dos desafios lançados nos editais, podem apresentá-las a qualquer momento, independentemente do ciclo.
“Se houver aderência com os mantenedores, vamos apresentar a proposta e, se um ou mais deles se interessar, iniciaremos o processo de desenvolvimento de projeto e prova de conceito. Lançamos esta opção recentemente e já recebemos várias propostas”, complementa o diretor do Fashion Hub. “A partir disso tudo queremos contribuir para a transformação da indústria da moda e fazer com que toda a cadeia ande junta.”

FONTE: Epocanegocios

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