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Infectologista esclarece dúvidas sobre a varíola do macaco

“Definitivamente qualquer infectologista, ainda mais nos últimos anos, não tem tido qualquer tipo de tédio ou monotonia. Quando depois dos grandes desafios da Covid-19 com suas ondas assustadoras pareciam, ao menos em relação às mortes, estarem aliviando, de repente em maio deste ano, na Europa é detectado um vírus raro se espalhando de maneira muito rápida e transmitido de forma ainda não totalmente esclarecida, acende as luzes de alerta para toda a humanidade novamente”. As colocações são do médico infectologista, doutor José Amaral Elias.

Segundo o profissional “é a varíola do macaco ou Monkeypox. Não se trata de uma doença nova já que o vírus fora descoberto em 1958 na África entre os macacos, apesar de não serem exclusivos deles pois alguns roedores também podem adoecer. Em 1970 detectado também em seres humanos e notificados casos esporádicos fora do continente africano como por exemplo em 2003 nos Estados Unidos”.
De acordo com Elias “o vírus é um parente próximo da varíola, doença que por ser bem mais agressiva e mortal, felizmente fora considerada erradicada da humanidade oficialmente em 1980 graças, principalmente, à vacinação. Só para se ter uma noção, a mortalidade da varíola era em torno de 30% já da varíola do macaco é em torno de 3%”

O infectologista relata que “nesse surto tudo começou com o primeiro caso no dia 7 de maio em Londres. Até aí nada de muito anormal já que esse caso era de pessoa que tinha estado na Nigéria, país onde a doença é endêmica desde 2017. Porém dia 14 dois novos casos foram notificados no Reino Unido e aí começou a preocupação já que nesses casos as pessoas não tinham viajado para áreas de ocorrência da doença e muito menos contato com o primeiro caso detectado dia 7. O alerta passou para vermelho quando nos dias seguintes outros países europeus começaram a detectar casos, como Portugal e Espanha e, mais preocupante ainda os Estados Unidos notificou um caso e depois o Canadá e todos também sem histórico de viagens para a Nigéria. Até já chegou bem perto daqui com 2 casos confirmados na Argentina e por aqui no Brasil nenhum caso ainda confirmado, porém já com 4 suspeitas uma delas inclusive aqui em Santa Catarina. Portanto confirmados chegamos até agora, dia primeiro de junho, são 909 casos no mundo. Felizmente sem nenhum caso grave e muito menos, é claro, óbitos”.

Mas o que se sabe dessa doença então?
O profissional explica que “há muitas interrogações sem respostas ainda porque a forma de transmissão tem se apresentado diferente do que até então se conhecia. Um dos fatores é que muitos dos casos estão se concentrando num grupo de pessoas que são os homens que fazem sexo com homens. Apesar de não haver nenhuma comprovação de ser uma infecção de transmissão sexual. O que se sabe é que a transmissão não é tão simples e rápida como a da Covid, por exemplo, pela forma respiratória e contato rápido. Sabe-se que a principal forma de transmissão é pelo contato direito com fluidos e secreções de lesões e até respiratórias, mas dependendo de um contato mais prolongado e demorado”.

O médico observa que “clinicamente a doença também tem se manifestado um pouco diferente dos casos ocorridos na África. Lá normalmente seguia uma evolução com início de febre e ínguas no pescoço e em torno de um a três dias surgindo manchas e depois as bolhas primeiramente na face e evoluindo para outras partes do corpo. Na Europa e nos Estados Unidos os casos têm iniciado primeiramente com as lesões e depois vem os picos de febre e as ínguas. A maioria também com lesões primeiramente na face e depois se espalhando por outras partes do corpo, porém em alguns casos como um ocorrido em Massachusetts, nos Estados Unidos, as lesões iniciaram primeiramente nas regiões anal e genital para posteriormente se disseminarem pelo corpo”.
Conforme Elias “também não temos ainda uma vacina específica para esse vírus mas uma das vacinas usada contra a varíola apresenta índice de proteção para esse vírus em torno de 85%. Lembrando que essa vacina e uma outra usada para a varíola só estão disponíveis atualmente nos Estados Unidos já que por aqui e o resto do mundo a vacinação foi abolida após a doença ter sido erradicada, como já dito, em 1980. Lá, por medo do bioterrorismo, eles vacinam alguns grupos de pessoas como, por exemplo, as forças armadas. Não há, também qualquer medicamento específico para tratamento. Enfim ainda é muito cedo para maiores previsões, porém várias autoridades e órgãos oficiais de Saúde tem afirmado que pelas características de transmissão da doença a chance de mais uma pandemia é muito pouco provável. Então aguardemos maiores informações e análises da evolução desse surtos e fiquemos atentos, em casos de pessoas com sintomas sugestivos procurem imediatamente atendimento médico”.

CLARICE GRAUPE DARONCO / JMV

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