quarta-feira, junho 19Notícias
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Quais os aspectos psicológicos que podem levar uma pessoa ao suicídio?

Os aspectos podem variar muito de pessoa para pessoa, pois o suicídio é um transtorno multidimensional. Transtornos psiquiátricos e tentativas anteriores de suicídio são fatores que aumentam os riscos de suicídio. Pessoas que tiveram suicídios ou tentativas de suicídio na família, abuso sexual na infância, existência de comportamentos impulsivos e agressivos, isolamento social e doenças incapacitantes também são fatores predisponentes; a combinação dos 4D (depressão, desesperança, desamparo e desespero) com características individuais como ambivalência, impulsividade e rigidez (ou constrição) também são aspectos psicológicos que aumentam o risco de suicídio.

Quais os sinais de alerta que a pessoa pode dar?

Uso de frases de alerta, como por exemplo: “Essa é a última vez que você me vê”, “Eu preferia estar morto(a)”, “Eu sou um empecilho e um peso para os outros”, “Os outros serão mais felizes sem mim”, ou ameaças de suicídio frequentes; falta de sensibilidade ou despreocupação logo após a ocorrência de situações impactantes negativamente como desilusão amorosa, perda de emprego, desonra; tristeza excessiva, combinada com a falta de vontade de estar com outras pessoas; alteração repentina e inexplicada de comportamentos ou hábitos, juntamente com a vontade de tratar de vários assuntos pendentes ou fazer testamento.

Como lidar com os sentimentos e pensamentos de suicídio?

Quando há o desejo de suicídio, é importante encontrar pessoas (como amigos e familiares) que possam conversar com calma e sem julgamentos, e manter contato com essa pessoa que se dispôs a conversar para contar como está se sentindo. Também é fundamental buscar ajuda profissional, nunca ficar sozinho e buscar conversar com alguém de confiança antes de tomar qualquer decisão. Acessar canais como disque saúde SUS (136), CVV (188) ou ir a um hospital ou UBS para atendimento médico ou psicológico é uma excelente alternativa. Outras formas para ajudar a lidar com o desejo iminente de suicídio, além de falar com outras pessoas, é exercitar a respiração e a automassagem no pescoço, que diminuem a sensação de tensão e ansiedade.

O que familiares e amigos podem fazer para ajudar?

O suicídio é um transtorno, não um problema de cunho espiritual ou “desvio de personalidade”. Portanto, tanto os familiares quanto os amigos precisam estar atentos quando há uma pessoa com ideação suicida: ouvir atentamente e com calma, demonstrar empatia (ou seja, se colocar no lugar da pessoa), dar mensagens não-verbais de aceitação e respeito, respeitar os valores e as opiniões da pessoa, mostrar preocupação, conversar honestamente e com autenticidade e focar nos sentimentos da pessoa são a melhor forma de comunicação.

Interromper a pessoa, demonstrar choque ou emoção alterada, dizer que está ocupado ou minimizar o sentimento do outro, colocar o outro em situação de inferioridade, emitir julgamentos e dizer simplesmente que “vai ficar tudo bem” ou “tudo vai dar certo” são atitudes inadequadas e que pioram o quadro do paciente com desejo suicida. Além disso, tratar desse assunto com sensacionalismo, mostrando notícias e mencionando artistas famosos que se mataram ou falar do suicídio como se fosse algo glamoroso, artístico ou em nome de um bem maior podem apenas piorar os riscos, pois se cria uma identificação desajustada entre a pessoa que deseja se suicidar e aquele (ou aquela) artista que se suicidou. Acompanhar a pessoa em consultas e mostrar interesse pelo tratamento psíquico da pessoa também são atitudes positivas e que auxiliam na prevenção.

PROCURE AJUDA

136 – Disque Saúde SUS

188 – CVV   

Hospitais, UBS e CAPS

Psicoterapia

Apoio da família e amigos