quinta-feira, julho 25Notícias
Shadow

Como realizar curativos em casa após a alta do hospital?

Especialista da Universidade Cruzeiro do Sul explica o passo a passo para cuidar das feridas do paciente de forma assertiva

São Paulo, 21 de setembro de 2022 – A situação não é incomum: o paciente internado no hospital recebe alta e a família não sabe como proceder com os cuidados de uma ferida. Afinal, são os momentos de realização do curativo que ajudam na cicatrização da lesão. 

Segundo a Profa. Ma. Solange Spanghero Mascarenhas Chagas, do curso de Enfermagem da Universidade Cruzeiro do Sul, o tratamento de feridas no domicílio é indicado para pacientes que se apresentam estáveis clinicamente e para quem precisa de atenção à saúde, em caso de restrição ao leito ou ao lar, temporária ou definitivamente. “Pode-se considerar a melhor maneira para o tratamento, a paliação, reabilitação e prevenção de agravos, porque pode propiciar a ampliação da autonomia do paciente, da família e do cuidador”, explica. 

Quando a família estiver insegura em relação ao curativo, Mascarenhas ressalta que o profissional que trabalha e estuda o tratamento de feridas é o enfermeiro. Portanto, na atenção domiciliar se espera que a equipe de enfermagem auxilie a família a desenvolver um ambiente favorável para o cuidado, realizando provisão e previsão de materiais ou tecnologias que facilitem essas práticas na saúde. 

Afinal, como realizar um curativo? 

Solange diz que antes de iniciar o tratamento da lesão, o local precisa passar por uma avaliação para entender qual o tipo de ferida e tecido apresentado. “Para cada estágio de desenvolvimento, é utilizado determinado material com diferentes finalidades. Uma ferida fechada, como uma cicatriz cirúrgica, o meio deve ser mantido seco para agilizar o processo de cicatrização, enquanto em uma ferida aberta, devemos manter o meio úmido o mais próximo possível das características naturais dos tecidos, facilitando o processo de cicatrização. Precisamos identificar se a ferida é limpa, contaminada ou infectada”, orienta. 

O tipo de curativo a ser realizado varia de acordo com a localização, natureza e tamanho da ferida. Em alguns casos, é necessária uma compressão, em outros uma lavagem exaustiva com solução fisiológica, e certas situações exigem imobilização com ataduras. 

Muitos acreditam que pomadas são a base de tudo, porém, além delas, há diversas outras finalidades que precisam ser levantadas para definir a escolha das coberturas. “O cuidador deve limpar a ferida, promover a cicatrização eliminando fatores que possam retardá-la, fazer desbridamento mecânico, químico ou autolítico para remover tecidos necróticos, proteger a ferida contra traumas mecânicos, prevenir contaminação exógena, tratar as infecções, remover corpos estranhos da ferida e promover hemostasia”.  

O banho também faz parte do controle de infecção, propiciando uma melhor higiene e um ambiente mais propício para a realização do procedimento. Por esse motivo, é preciso que seja dado antes da realização do curativo. 

Por fim, a enfermeira finaliza com alguns pontos importantes que não devem ser esquecidos por quem estiver realizando o curativo. Confira: 

– Lavar as mãos antes e após cada curativo; 

– Utilizar sempre material esterilizado; 

– Não falar e não tossir sobre a ferida e ao manusear material estéril; 

– Usar luva, máscara e óculos. Curativos de grande porte e infectados usar também o avental como paramentação; 

– O manuseio do material utilizado deve ser devidamente separado. Caso não haja material de curativo (pinças) o mesmo deve ser realizado com luva estéril, contaminando uma mão e mantendo a outra estéril; 

– O curativo deve ser feito após o banho do paciente, fora do horário das refeições.