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Insônia foi uma das razões da renúncia de Bento XVI

Especialista em medicina do sono comenta carta do papa emérito e destaca importância das noites bem dormidas para a saúde

A insônia foi o fator-chave para que o papa emérito Bento XVI renunciasse ao pontificado. Isso aconteceu há quase dez anos, mas só se tornou de conhecimento público recentemente. A privação de sono havia sido revelada pelo pontífice ao seu biógrafo, Peter Seewald, semanas antes de Bento XVI falecer.

De acordo com Gleison Guimarães, médico especialista em Pneumologia pela UFRJ e pela Sociedade Brasileira de Pneumologia e Tisiologia (SBPT), essa notícia dá força à tese de que Bento XVI renunciou porque estava doente e debilitado. “Sua condição, porém, pode ter sido muito agravada pelos anos seguidos de privação de sono. Foi uma rotina de quase oito anos de papado, nos quais liderou três encíclicas. Sem noites bem dormidas e vivenciando uma rotina intensa, qualquer ser humano teria enfrentado problemas de saúde”, comenta.

Na mensagem que revela seus problemas para dormir, Bento XVI afirma que a insônia o acompanhava “sem interrupções” desde a Jornada Mundial da Juventude de Colônia, em agosto de 2005, meses depois de ter sido eleito o sucessor de João Paulo II.

Na época, seu médico receitou remédios que, durante um tempo, funcionaram, mas depois passaram a causar problemas, como um incidente durante a viagem do papa ao México e a Cuba em março de 2012. O religioso citou no texto que, daquela vez, encontrou os lençóis “totalmente encharcados de sangue”, provavelmente porque teria batido em alguma coisa no banheiro e caído. “Com a redução dos medicamentos para dormir e o desgaste no cumprimento da missão, Bento XVI acabou renunciando, já que, ao que o texto indica, não se sentia capaz de continuar cumprindo a agenda”, conta Guimarães.

O tempo total curto de sono menor que 6 h é um forte determinante de saúde que se correlaciona com problemas metabólicos, cardiovasculares e mentais, bem como acidentes. Mesmo por períodos curtos de tempo pode levar a um comprometimento da regulação do humor, com uma maior tendência a sentimentos negativos e redução de sentimentos positivos, afetando as conexões sociais no trabalho, na família e com os amigos, inclusive prejudicando a capacidade de lidar com o estresse, inclusive desqualificando as tomadas de decisão.

Segundo o especialista, a história do pontífice mostra nitidamente como a privação de sono pode afetar duramente a saúde e a rotina, sendo necessário buscar ajuda o quanto antes.

Sobre Gleison Guimarães 

É médico especialista em Pneumologia pela UFRJ e pela Sociedade Brasileira de Pneumologia e Tisiologia (SBPT), especialista em Medicina do Sono pela Associação Brasileira de Medicina do Sono (ABMS) e também em Medicina Intensiva pela Associação de Medicina Intensiva Brasileira (AMIB). Possui certificado de atuação em Medicina do Sono pela SBPT/AMB/CFM, Mestre em Clínica Médica/Pneumologia pela UFRJ, membro da American Academy of Sleep Medicine (AASM) e da European Respiratory Society (ERS). É também diretor do Instituto do Sono de Macaé (SONNO) e da Clinicar – Clínicas e Vacinas, membro efetivo do Departamento de Sono da SBPT. Atuou como coordenador de Políticas Públicas sobre Drogas no município de Macaé (2013) e pela Fundação Educacional de Macaé (Funemac), gestora da Cidade Universitária (FeMASS, UFF, UFRJ e UERJ) até 2016. Professor assistente de Pneumologia da Universidade Federal do Rio de Janeiro – Campus Macaé.  Para mais informações, acesse https://drgleisonguimaraes.com.br/ ou pelo Instagram @dr.gleisonguimaraes e no Twitter @drgleisonpneumo.