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Escola curitibana desobriga uniforme para priorizar a individualidade dos alunos e a sustentabilidade

Consumo consciente e expressão por meio das vestimentas estão entre os motivos da escolha

Ao exigirem o uniforme escolar, muitas instituições de ensino visam uma série de soluções, entre elas a identificação, categorização e segurança dos estudantes. O uso do uniforme também é visto como uma medida que cria um senso de igualdade e não desvia a atenção das crianças e adolescentes para modismos dentro da escola.

Por outro lado, há quem questione a relevância desses benefícios e desobrigue o uso de uniforme no dia a dia. É o caso da Escola Interpares, de Curitiba (PR), onde acredita-se que o uniforme atrapalha o desenvolvimento da identidade e personalidade das crianças e ainda impacta negativamente o meio ambiente.

“Em nossos 25 anos de atividade, sempre tivemos uniforme, mas nunca obrigamos o uso regular. Fica a critério de cada família, de acordo com suas preferências e possibilidades. O único momento em que solicitamos a camiseta do uniforme é quando saímos da escola com as crianças, para aprendizagens externas. Assim, garantimos a identificação e segurança de todos”, explica Dayse Campos, diretora da Interpares.

Ela explica que, se a família desejar, a criança pode ter apenas uma camiseta da escola para os dias de passeio ou mesmo emprestar de alguém. “Não é raro a própria escola fornecer a camiseta. Existe também um outro motivo para não exigirmos o uniforme diariamente: a questão do meio ambiente”, pontua a diretora.

Ela lembra que a indústria de moda e confecções é a segunda mais poluente do mundo –  perde apenas para o setor petrolífero. “Devido ao rápido crescimento das crianças, o uso de roupas por esse público é similar ao famoso ‘fast-fashion’, conceito que remete ao curto ciclo de uso das peças, bastante prejudicial para o meio ambiente”, completa.

As mais de cem famílias que compõem a comunidade da escola aprovam a ideia e enxergam nela inclusive uma facilidade no dia a dia. “Os pais sabem como é normal uma criança não querer vestir o uniforme, por se sentir melhor com outro tipo de roupa. Assim como pode adorar o uniforme. Estimulamos que a criança tenha essa liberdade e trabalhe sua individualidade de formas diversas. A obrigatoriedade do uniforme, ao nosso ver, acaba criando barreiras”, avalia.

Dayse explica que, além de enxergar as diferenças e individualidades, a educação precisa ser transformadora não só para a criança, mas para a sociedade. “As roupas são uma forma de expressão, então por que não deixar a criança decidir como quer se vestir para fazer uma coisa tão importante como estudar? Se depender de nós, o estímulo virá inclusive da vestimenta”, enfatiza.

O mesmo ocorre na questão ambiental, segundo ela. “De que adiantaria ensinarmos, durante as aulas, que é preciso consumir de forma consciente, se não pudermos permitir que as crianças e suas famílias pratiquem isso já na relação com a escola?”, questiona. 

A Interpares é uma escola sociointeracionista, que atualmente atende crianças de 0 a 10 anos e adota como proposta pedagógica a aprendizagem por meio de brincadeiras fora da tradicional sala de aula. “Aqui consideramos a criança parte ativa e protagonista do aprendizado, assim como as relações que ela estabelece com tudo e todos. Portanto, dentro do nosso método, o uniforme é apenas um detalhe”, finaliza. 

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