
Defesa Civil do Estado apresentou projeções para o fenômeno e como o órgão tem se preparado para os efeitos climáticos a partir do segundo semestre
O ano de 2026 está se tornando “o ano do El Niño”. Em Santa Catarina, a palavra-chave é prevenção. É o que evidenciou a Defesa Civil de Santa Catarina nesta segunda-feira (18), em um workshop aberto a jornalistas sobre comunicação de emergência, monitoramento meteorológico e os desafios do fenômeno em 2026, em Florianópolis.
A previsão em Santa Catarina é de aumento das chuvas, temperaturas mais elevadas e episódios de vento intenso, elevando o risco de alagamentos, inundações e deslizamentos em diferentes regiões catarinenses.
Segundo meteorologistas da Defesa Civil, o aumento das chuvas deve começar de forma progressiva a partir de junho de 2026. Durante o inverno, o fenômeno já deve influenciar o clima no Estado, mas ainda com impactos menores. A maior preocupação está concentrada na primavera.
— A partir de setembro, os efeitos começam a se intensificar mais significativamente — explicou o meteorologista Caio Guerra durante o encontro.
Super El Niño pode ocorrer no fim do ano
O auge do fenômeno está previsto para os meses de novembro, dezembro e janeiro. É nesse período que pode ocorrer a formação de um “super El Niño”, ou de um evento classificado como “forte” ou “muito forte”.
As projeções apresentadas pela Defesa Civil apontam mais de 30% de chance desse cenário se concretizar. Ainda assim, especialistas reforçam que a intensidade definitiva do fenômeno só poderá ser confirmada ao longo do ano.
Questionado sobre como a Defesa Civil classifica o cenário atual, o meteorologista Caio Guerra afirmou que o risco é considerado alto e preocupante, especialmente para o período da primavera, historicamente mais crítico em Santa Catarina. Apesar disso, ainda não é possível cravar a ocorrência de desastres climáticos no Estado.
— Não dá para afirmar e cravar desastres climáticos. O sistema pode canalizar mais para o Paraná, ou para Santa Catarina. Depende muito de como o fenômeno vai se organizar e canalizar — explicou.
Os técnicos também fizeram questão de evitar associações automáticas entre intensidade do El Niño e tamanho dos impactos. O exemplo citado foi o Rio Grande do Sul em 2024. Segundo os meteorologistas, apesar da atuação do El Niño durante as enchentes históricas, o fenômeno não estava em seu pico de intensidade naquele momento.
— Um El Niño forte não significa necessariamente mais impactos. Existem outros fatores atmosféricos envolvidos — destacou Guerra.
Independentemente da classificação final do fenômeno, porém, a Defesa Civil afirma já existir um consenso entre os modelos meteorológicos: Santa Catarina deverá registrar chuva acima da média em 2026.
Decreto climático será assinado nesta segunda
Diante do cenário, o governo do Estado deve assinar ainda nesta segunda-feira (18) um decreto de estado de alerta climático. Segundo o texto, a medida não configura situação de emergência nem estado de calamidade pública. O objetivo é permitir a mobilização antecipada dos órgãos estaduais para ações de prevenção, monitoramento e resposta rápida diante de possíveis eventos extremos.
Além das medidas preparatórias, a Defesa Civil também apresentou uma ampliação da rede de monitoramento hidrometeorológico do Estado. Atualmente, Santa Catarina conta com 100 estações hidrológicas e 72 estações meteorológicas distribuídas pelo território catarinense.
A estrutura passou de 42 estações em agosto de 2025 para 172 estações em maio de 2026, avanço considerado estratégico para ampliar a capacidade de monitoramento e resposta a eventos extremos.
Outra novidade anunciada foi a disponibilização pública da plataforma de monitoramento hidrometeorológico da Defesa Civil. A ferramenta permite acompanhar em tempo real informações como chuva acumulada, nível dos rios, temperatura, vento, umidade do ar, pressão atmosférica e situação das barragens em diferentes regiões do Estado.
FONTE: https://www.nsctotal.com.br/


