
Relatório de auditoria confirmou viabilidade da companhia; empresa avança em modernização industrial e retomada comercial
No ano em que completa 100 anos de história, a Teka, uma das mais tradicionais indústrias têxteis do Brasil, consolida um novo momento de sua trajetória. Em recuperação judicial desde 2012, a companhia avança em um processo estruturado de reequilíbrio financeiro, modernização da gestão e retomada sustentável das operações. A viabilidade econômica da empresa foi atestada em relatório de auditoria independente da Grant Thornton, entregue ao Judiciário no fim de 2025.
Diante do resultado positivo, a Teka prevê um crescimento de 44% no faturamento neste ano, passando dos atuais R$ 500 milhões para R$ 720 milhões. Uma das prioridades da companhia em 2026 é a modernização de seus dois parques industriais, com previsão de investimentos na ordem de R$ 50 milhões nas unidades de Blumenau (SC) e Artur Nogueira (SP).
“A renovação de equipamentos permitirá à Teka alcançar patamar tecnológico equivalente ao de seus principais concorrentes”, explica Angelo Guerra Netto, integrante do Comitê de Reestruturação da empresa. Ele destaca ainda que a modernização deve ampliar a capacidade mensal de produção de 700 para 1,2 mil toneladas.
A auditoria realizada pela Grant Thornton foi designada pelo Tribunal de Justiça de Santa Catarina, em decisão liminar que suspendeu a falência da empresa, em março de2025. O relatório confirma que a Teka possui condições operacionais e financeiras para dar continuidade às suas atividades e cumprir seus compromissos, atendendo a um dos principais requisitos exigidos no âmbito do processo de recuperação judicial. Com isso, a companhia protocolou na Justiça o novo plano de recuperação judicial, com uma nova proposta de pagamento aos credores.
O resultado da auditoria chancela o plano de reestruturação conduzido, desde junho do ano passado, pelo Alumni FIP (Fundo de Investimentos e Participações), que detém 40% das ações da companhia. A estratégia tem assessoria da EXM Partners e envolve ajustes de governança, reorganização da estrutura de gestão, revisão de passivos históricos e investimentos voltados à eficiência operacional.
A regularização fiscal e trabalhista é outro avanço relevante. A empresa protocolou o pedido de transação tributária federal que reduzirá o passivo de R$ 2,3 bilhões para R$ 226 milhões. “A empresa vinha carregando passivos históricos muito relevantes e o nosso trabalho tem sido construir soluções definitivas dentro da legalidade”, afirma Guerra Netto.
Além disso, a companhia formalizou em novembro de 2025 um acordo trabalhista no valor de R$ 70 milhões, que vai beneficiar 2.333 trabalhadores ativos e inativos. A verba para o pagamento será liberada com recursos de fundos já existentes em contas judiciais vinculadas ao processo de recuperação e com a venda de imóveis não operacionais.
A Teka também iniciou uma nova estratégia comercial, com o lançamento de seu e-commerce próprio, atualmente em fase de testes, e a inauguração de sua primeira loja física no Outlet Premium de Itupeva (SP). A movimentação marca a entrada estruturada da companhia no varejo direto e amplia o acesso dos consumidores aos produtos da marca.
“A nossa expectativa é encerrar um capítulo longo e difícil e entrar em 2026 preparados para competir de igual para igual com o mercado. Queremos voltar a ter os produtos da Teka presentes nas casas da maioria dos brasileiros e seguir adiante de forma sustentável”, finaliza Guerra Netto.


