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Endometriose e tumores ginecológicos: diagnóstico especializado pode reduzir anos de sofrimento, alertam especialistas pelo Dia Internacional da Mulher

Condições afetam milhões de mulheres e continuam sendo subestimadas no Brasil

A endometriose é uma doença ginecológica crônica que, segundo estudos epidemiológicos, atinge cerca de 6% a 10% das mulheres em idade reprodutiva, com prevalência ainda maior entre aquelas com dor pélvica, podendo atingir 34% entre pacientes que procuram atendimento especializado por dor pélvica intensa. No Brasil, estima-se que cerca de 8 milhões de mulheres vivam com a doença, e o tempo médio até um diagnóstico efetivo pode ultrapassar sete anos entre o surgimento dos primeiros sintomas e a confirmação médica.

Esse atraso tem consequências diretas na qualidade de vida: dor pélvica crônica, dismenorreia incapacitante, dor durante as relações sexuais e impacto na fertilidade são queixas frequentes, mas muitas vezes subestimadas ou atribuídas a causas comuns pelas próprias pacientes ou até mesmo minimizadas durante atendimentos iniciais.

Por que o diagnóstico é um desafio?

A complexidade da endometriose, em que tecido semelhante ao endométrio se implanta fora do útero, como nos ovários, intestino ou pelve, torna a identificação precoce difícil. Os sintomas variam amplamente e podem ser silenciosos, o que exige investigação criteriosa.

A confirmação diagnóstica envolve avaliação clínica, exames de imagem especializados e, quando necessário, abordagem cirúrgica, uma vez que o diagnóstico preciso depende da análise anatomopatológica do tecido coletado.

Segundo o CIPAC Diagnósticos, esta etapa é decisiva para evitar equívocos e garantir direcionamento terapêutico adequado. “A análise anatomopatológica é o que confirma o diagnóstico e permite diferenciar endometriose de outras condições benignas ou até neoplasias. Sem essa avaliação microscópica, há risco de tratamentos imprecisos e prolongamento do sofrimento da paciente”, afirma a responsável técnica do CIPAC Diagnósticos, Luzete Granero.

O papel da imuno-histoquímica nos tumores ginecológicos
Além da endometriose, tumores ginecológicos como câncer de endométrio, ovário e colo uterino representam outra dimensão da urgência diagnóstica. Nesses casos, técnicas avançadas como a imuno-histoquímica são fundamentais para caracterizar o tipo exato do tumor, identificar padrões moleculares e orientar condutas terapêuticas mais individualizadas.

Marcadores como p53 e proteínas do sistema de reparo de DNA (como MLH1, PMS2, MSH2 e MSH6), ajudam na estratificação de risco e podem indicar a presença de síndromes hereditárias, como a síndrome de Lynch, associada ao aumento do risco de câncer ginecológico e colorretal. De acordo com o CIPAC, a incorporação desses painéis diagnósticos amplia a precisão e impacta diretamente o planejamento clínico. “A medicina oncológica moderna exige diagnóstico cada vez mais detalhado. A imuno-histoquímica não apenas classifica o tumor, mas fornece informações prognósticas e terapêuticas que influenciam decisões médicas importantes”, reforça a instituição.

Quando procurar ajuda especializada
Especialistas recomendam atenção médica quando houver:
Cólicas menstruais intensas e incapacitantes
Dor pélvica persistente
Dor durante as relações sexuais
Alterações intestinais ou urinárias que pioram no período menstrual
Dificuldade para engravidar

A integração entre avaliação clínica, exames de imagem e análise anatomopatológica aumenta significativamente as chances de um diagnóstico preciso e de intervenções mais eficazes.

Não normalizar a dor
No contexto do 8 de março, a reflexão vai além da conscientização simbólica. O alerta é direto: dor não deve ser normalizada. O acesso a diagnóstico especializado representa mais do que uma etapa técnica, é instrumento de cuidado, prevenção de complicações e preservação da qualidade de vida. “O diagnóstico correto não é apenas um procedimento laboratorial. É um ato de cuidado que pode reduzir anos de sofrimento e permitir que a paciente receba o tratamento adequado no momento certo”, conclui Granero.

Sobre o Cipac Diagnósticos

O Cipac Diagnósticos é um dos principais centros de patologia do Vale do Itajaí, com atuação estratégica no apoio ao diagnóstico de doenças ginecológicas, incluindo endometriose e tumores do colo uterino, endométrio, ovário e trompas, além de patologias relacionadas ao HPV e outras condições de alta complexidade.

A instituição conta com equipe médica multiespecializada formada por oito patologistas, com expertise em ginecopatologia, dermatopatologia, patologias da mama, doenças renais e transplantes. No campo da oncologia ginecológica, o laboratório dispõe de painéis de imuno-histoquímica para definição de origem tumoral, avaliação de marcadores como p53 e análise do sistema de reparo de DNA (MMR), contribuindo para diagnóstico preciso, estratificação de risco e apoio à decisão terapêutica.

Com mais de 50 colaboradores, o Cipac projeta ampliar sua capacidade para até 20 mil exames mensais com a nova sede, localizada à Rua Itajaí, 790, em Blumenau. O investimento contínuo em biologia molecular, PCR para HPV e ISTs, imuno-histoquímica, imunofluorescência e FISH consolida o laboratório como referência regional em precisão diagnóstica, integração clínica e inovação tecnológica.