
Você já percebeu que a pressa virou status?
Hoje, estar ocupado virou sinônimo de ser importante. Responder rápido, fazer mais, correr mais, produzir mais, mas quase ninguém está perguntando o mais importante: Para onde estamos indo com tanta pressa?
Existe um paradoxo silencioso acontecendo. As pessoas estão cada vez mais ocupadas e cada vez mais sentindo-se vazias, muitas vezes desconectadas de si, e não querem estar assim, mas não entendem o que está acontecendo e, preciso ressaltar aqui que estar ocupado não quer dizer que está produzindo.
E sabe? Diante disso, tem algo que vem me chamando muito mais atenção do que antes: As pessoas estão cada vez mais cansadas. E não é só cansaço físico, é um cansaço mental, emocional e até existencial. É como se a vida estivesse passando e a gente estivesse ocupada demais para perceber. Muitos profissionais perderam o prazer em servir em suas funções, focam na meta, mas esquecem do aprendizado, da experiência, da evolução que a jornada até a meta traz consigo.
Talvez esse seja o ponto mais crítico do nosso tempo: Não estamos vivendo, estamos reagindo. Estamos sobrevivendo, na maioria das vezes.
Nos meus quase 20 anos estudando comportamento humano, atendendo empresários, líderes, profissionais e empresas, desenvolvendo inteligência emocional estratégica, existe um padrão que se repete: Pessoas inteligentes, capazes, com hard skills fenomenais, dedicadas, mas que estão presas a um automático que não questionam, sabe? Elas trabalham muito, mas não necessariamente melhor. Fazem mais, mas não alcançam resultados equivalentes ao tanto que se esforçam. Isso já aconteceu com você?
E quero te dizer que, quando olhamos para isso tudo de perto, tem algo em comum aqui: Falta de consciência, falta de parar e perceber no meio da ação. E essa falta de parar e perceber deixa os nossos sabotadores internos trabalharem mais que a mente sábia, fazendo com que os resultados que se almejam não aconteçam.
A jogada é “simples”. Pega essa: A neurociência já mostrou que, quando vivemos em estado constante de pressa, ansiedade, estresse e sobrecarga, o cérebro entra em modo de sobrevivência. E, nesse estado, perdemos acesso às áreas responsáveis por clareza, criatividade e tomada de decisão estratégica, nossa mente sábia e eu ainda vou além, perdemos a conexão com a mente mais poderosa de todas, a mente superior que tudo sabe e que tudo tem.
Então, quanto mais acelerado você está, pior você decide. E isso cria um ciclo invisível, onde você trabalha mais, decide pior, se comunica com menos eficácia, escolhe mal suas prioridades e se afasta exatamente dos resultados que deseja. E o mais perigoso é que você não percebe e vive, dia após dia, assim, repetindo comportamentos, repetindo resultados e até repetindo problemas.
No meu livro publicado no ano passado, O Poder de Parar e Perceber, eu trago uma provocação simples, mas transformadora: O problema não é a falta de esforço. É a falta de consciência no meio do esforço.
Porque, quando alguém não para, não percebe. E, quando não percebe, repete padrões. E tudo aquilo que se repete no cérebro fortalece conexões neurais, aumentando a probabilidade de você viver os mesmos resultados.
Por isso, parar e perceber não é perda de tempo. Parar e perceber é inteligência. Parar e perceber é estratégia.
Parar e perceber é o único caminho para sair do automático, parar de deixar o passado criar seu futuro e assumir o comando da co-criação da sua realidade a partir do presente.
E talvez a pergunta que a gente precisa começar a fazer não seja: “O que mais eu preciso fazer?” Mas sim: “O que eu preciso parar de repetir?”
Porque, no final, não é sobre correr mais, é sobre caminhar na direção certa.
E, se cada dia que você vive é um dia a menos que você tem para viver, talvez esteja na hora de ir com mais calma, mais estado de presença, deixar menos os seus medos e sabotadores internos trabalharem e colocar sua mente sábia para agir a favor dos resultados profissionais e financeiros que você quer e merece ter e viver enquanto realiza os seus sonhos.
Bora parar, perceber, para depois agir com mais assertividade, foco e direção porque assim, é possível ter mais sucesso profissional com menos desgaste emocional.
Juci Nones
Mentora, Palestrante Comportamental e Escritora


