
A NR-01 chegou para cuidar dos colaboradores, ótimo, e quem cuida dos empresários e dos líderes?
Desde maio de 2026, a NR-01 tornou obrigatório que as empresas identifiquem e gerenciem os riscos psicossociais no trabalho. Estresse, sobrecarga, assédio, falta de autonomia, tudo isso entrou formalmente na pauta de conformidade. O Brasil deu um passo importante, e agora, uma pergunta que a norma não faz, mas deveria: Quem está mapeando o risco psicossocial do dono da empresa? E do líder que precisa implementar tudo isso em um mundo onde as pessoas terceirizam os problemas, grande parte não tem comprometimento consigo e muito menos com a empresa, e o mercado está mais volátil e exigente do que nunca?
Vamos lá refletir sobre isso juntos…
Existe um fenômeno que a neurociência vem documentando com crescente precisão: Ambientes de alta estimulação contínua, notificações, decisões urgentes, reuniões em série, WhatsApp constante, métricas em tempo real, um governo que trabalha mais contra o empresário do que a favor, um mercado extremamente concorrido e volátil em seja qual for o segmento, ativam o sistema dopaminérgico de forma crônica.
A dopamina não é só o neurotransmissor do prazer. É o da antecipação também. Da busca. Do “mais um”. Ela nos mantém em movimento antes de nos deixar descansar. E quando o ambiente é projetado, consciente ou inconscientemente, para disparar esse sistema sem pausa, o resultado não é produtividade. É um estado de urgência permanente que o cérebro começa a confundir com propósito e entra-se em um looping de ansiedade e estresse frenético.
Líderes e donos de empresas vivem, em sua maioria, nesse ambiente. Quase duas décadas acompanhando empresários, autônomos e líderes em processos de mentoria comportamental individual ou em grupo me permitiram observar esse padrão de perto e com consistência desconcertante. O problema não é só o cansaço visível, é que um cérebro operando nesse estado perde gradualmente duas capacidades críticas para quem lidera: a regulação emocional e a perspectiva de longo prazo.
Em outras palavras, a pessoa que mais precisa de clareza para tomar decisões estratégicas é a que está mais cronicamente comprometida para tê-la.
O ponto cego que a NR-01 não alcança
A norma olha para dentro das organizações. Ela quer saber se os colaboradores estão bem. Se há fatores de risco. Se existe protocolo, mas há uma camada que a legislação não toca porque pressupõe que o responsável pela saúde organizacional está, ele mesmo, em condições de exercer essa responsabilidade, e sabe o quê? Posso te dizer que frequentemente não está, porque apesar de muitas empresas já estarem preparando seus líderes, ainda é pouco para esse novo momento que estamos vivendo no mundo.
O dono ou líder que cobra presença e foco da equipe pode ser o mesmo que responde e-mail durante o jantar em família e chama isso de comprometimento. O líder que quer uma cultura psicologicamente segura pode nunca ter desenvolvido a capacidade de reconhecer o próprio estado interno antes de entrar numa reunião difícil.
Isso não é crítica moral. É um ponto cego comportamental com consequências sistêmicas. Porque o estilo de liderança de quem está no topo é, em si, um fator de risco psicossocial para toda a organização. Esse tema surgiu de uma tendência de mercado na minha prática, ele emergiu das sessões, das conversas, dos padrões que se repetiam independentemente do setor ou do tamanho da empresa. Foi exatamente essa consistência que me levou também a aprofundar os estudos em comportamento organizacional na Ohio University, EUA, estudando liderança, seus padrões e os desafios que teríamos nos próximos 10 anos no Brasil, e olha nós aqui vivendo um dos desafios muito antes disso: liderar a nós mesmos para assim podermos liderar pessoas e resultados, o que inclusive fundamenta os meus treinamentos, imersões e mentorias quando desenvolvo gestão emocional estratégica para terem mais resultados com menos desgaste.
Tá bom Juci mas vamos lá: “Estou lendo aqui e me identifico, por onde posso começar a desenvolver isso?”
Pela Autoconsciência. Autoconsciência não é parte do autoconhecimento, algo raso e momentâneo, e sim algo que precisamos fortalecer todos os dias e para sempre.
Há uma confusão comum no mundo corporativo que é achar que autoconsciência é somente um tema de desenvolvimento pessoal terapêutico, não é. Autoconsciência é uma competência comportamental que se desenvolve com método, não foi por nada que escrevi o livro O PODER DE PARAR E PERCEBER falando sobre isso e como usar esse grande poder a nosso favor. Autoconsciência que é O PODER DE PARAR E PERCEBER, e envolve reconhecer padrões de ação e reação, identificar os gatilhos que te bloqueiam e te sabotam e criar condições internas para escolher como agir em vez de apenas reagir ao ambiente dopaminérgico que nunca para de puxar atenção e te levar ao automático e a uma vida sem qualidade.
É exatamente o que um líder sem esse repertório vai ter dificuldade de cultivar na equipe. Não por falta de intenção. Por falta de modelo. Quando trouxe esses e outros conteúdos agregados para o MBA de Gestão de Pessoas da Uniasselvi, onde sou professora autora, a resposta dos alunos gestores em exercício, a maioria deles, confirmou o que a prática já mostrava: Esse é o tema que estava faltando nos cadernos. Algo presente nos estudos de comportamento organizacional há décadas, mas raramente traduzido para a realidade de quem lidera no dia a dia, Gestão Emocional Estratégica e não sei se você sabe, mas autoconsciência é a base dela.
Precisamos entender que a conformidade legal resolve o problema jurídico. Não resolve o problema real. O problema real é que construir ambientes de trabalho saudáveis exige líderes que tenham algum nível de saúde psicológica ativa, não declarada, não aspiracional, mas praticada. Resultados melhores com menos desgaste não é um slogan motivacional. É uma equação comportamental. E ela começa no topo, com donos de empresas e liderança.
O que tenho observado nas mentorias com empresários, autônomos e líderes é que, quando o responsável pela empresa desenvolve Gestão Emocional Estratégica, a capacidade de regular suas respostas, tomar decisões com mais lucidez e liderar com menos reatividade o impacto não fica contido nele. Ele se propaga.
E isso começa com uma pergunta que poucos donos de empresa fazem a si mesmos:
Eu estaria, hoje, em condições de ser liderado por mim?
Se a resposta hesitar, talvez o primeiro mapeamento de risco psicossocial que sua empresa precisa não comece pelos colaboradores e sim por você e seus líderes.
Se esse tema chegou até você de um jeito que incomodou um pouco, ou que fez você pensar em alguém que precisava ler, é sinal de que vale ir mais fundo.
No dia 1º de agosto, em Timbó/SC, acontece o LIDERAMENTE, que é uma imersão presencial de 12 horas onde você vai aprender a liderar sua mente, suas emoções e sua comunicação e como transformar isso em mais resultados financeiros e profissionais com menos desgaste emocional. Sua maior ferramenta de sucesso está dentro de você. Eu te mostro como acioná-la. Uma jornada que começa por dentro e te leva para onde você quer estar.
É para líderes, empreendedores e profissionais que querem ir para o próximo nível do jogo profissional sem que a moeda de troca seja a sua saúde e seus relacionamentos.
O lote 1 vai até 30 de junho. As informações e inscrições para o LIDERAMENTE ESTÃO AQUI.
Juci Nones
Mentora, Palestrante Comportamental e Escritora
