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Praça transforma o celular do cidadão em ferramenta de participação urbana em Indaial

Aplicativo permite registrar problemas como buracos, iluminação pública, lixo e calçadas danificadas diretamente pelo celular, criando um mapa colaborativo das demandas da cidade e propondo uma nova relação entre moradores, espaço público e participação cidadã

Uma lâmpada que deixou de funcionar. Um buraco que surgiu no caminho para o trabalho. Uma calçada quebrada que dificulta a passagem de idosos ou pessoas com mobilidade reduzida. Lixo acumulado em determinado ponto do bairro. Situações como essas fazem parte do cotidiano de praticamente todas as cidades e, muitas vezes, são percebidas primeiro por quem está mais próximo delas: o próprio morador.

É justamente a partir dessa realidade que surge o Praça, uma iniciativa voltada a Indaial que pretende transformar o cidadão em participante ativo do mapeamento dos problemas urbanos.

A proposta é simples: utilizando o celular, o morador fotografa uma situação encontrada na cidade, publica o registro com sua localização e passa a integrar aquela ocorrência a um mapa colaborativo. Outros integrantes da comunidade podem apoiar a demanda, contribuindo para demonstrar quais situações mobilizam ou afetam um número maior de pessoas.

Mais do que um canal para publicação de reclamações, a proposta do Praça é criar uma espécie de mapa vivo da cidade, construído continuamente pelas pessoas que circulam pelas ruas, bairros e espaços públicos.

O próprio site do projeto resume sua proposta em uma frase: “A cidade tem voz”.

O cidadão como parte do mapeamento da cidade

Grande parte das discussões sobre cidades inteligentes está relacionada ao uso de câmeras, sensores, veículos equipados, softwares especializados e sistemas contratados pelo poder público.

O Praça parte de outra perspectiva.

Em vez de depender exclusivamente de uma estrutura tecnológica municipal para identificar aquilo que acontece nas ruas, a plataforma aposta em uma infraestrutura que já está presente diariamente nos bairros: os próprios moradores e seus smartphones.

Quando uma pessoa encontra um problema, pode registrá-lo no local em que ele ocorre. A fotografia, associada à localização, ajuda a transformar uma percepção individual em uma informação territorializada.

Ao longo do tempo, a soma desses registros pode revelar um retrato das demandas percebidas pela própria população.

Um buraco deixa de ser apenas “um problema em alguma rua”. Uma luminária apagada deixa de ser somente um comentário entre vizinhos. O problema passa a ter registro, localização e possibilidade de mobilização comunitária.

É uma mudança aparentemente pequena, mas que altera a lógica da participação: o cidadão deixa de ser somente alguém que espera que o problema seja identificado e passa também a colaborar para torná-lo visível.

De uma fotografia para um mapa coletivo

O funcionamento proposto pelo Praça procura ser acessível justamente porque começa com uma ação que já faz parte do cotidiano: fotografar.

O cidadão encontra uma situação urbana que considera necessária de atenção — como buracos, iluminação com problemas, lixo acumulado ou calçadas danificadas —, registra uma imagem e publica a ocorrência indicando sua localização.

A partir daí, aquele registro deixa de existir somente no celular de quem fotografou.

Ele passa a compor um ambiente coletivo.

Outros moradores podem visualizar e apoiar a demanda, permitindo que situações semelhantes sejam percebidas não apenas como reclamações isoladas, mas como questões compartilhadas pela comunidade.

Essa característica também pode contribuir para uma leitura diferente das prioridades urbanas.

Se diversos cidadãos registram ou apoiam problemas existentes em determinada região, por exemplo, cria-se um conjunto de informações que ajuda a demonstrar onde estão algumas das principais preocupações percebidas por quem vive naquele território.

Um mapa que não depende de um veículo percorrendo as ruas

Uma das ideias centrais por trás do projeto está justamente na independência do processo de identificação dos problemas.

Tecnologias utilizadas pelo poder público podem depender de contratos, disponibilidade orçamentária, equipamentos específicos, veículos, fornecedores e decisões administrativas.

Contratos terminam. Tecnologias podem ser substituídas. Prioridades administrativas mudam.

Os moradores, entretanto, continuam circulando pela cidade.

É nessa diferença que o Praça procura estabelecer sua proposta.

O mapeamento colaborativo não depende necessariamente de um veículo contratado percorrendo determinada rua para que uma ocorrência seja percebida. Também não precisa esperar que uma tecnologia específica esteja disponível naquele momento.

Depende, sobretudo, de alguém encontrar o problema e decidir registrá-lo.

Isso não significa substituir os canais oficiais ou os mecanismos utilizados pela administração municipal. A proposta pode ser entendida como uma ferramenta paralela de participação cidadã: um espaço em que a própria comunidade constrói registros sobre o território onde vive.

Tecnologia cívica além dos contratos públicos

O projeto também coloca em discussão um tema cada vez mais presente nas cidades: até que ponto a participação digital do cidadão deve depender exclusivamente das tecnologias contratadas pelo poder público?

Soluções municipais normalmente fazem parte de processos administrativos sujeitos a orçamento, contratos, licitações, renovações, mudanças de gestão e definição de prioridades.

Esse funcionamento faz parte da administração pública.

Mas uma infraestrutura digital de participação comunitária pode seguir outra lógica.

Uma plataforma criada diretamente para os cidadãos pode continuar reunindo informações independentemente da existência ou não de determinado contrato municipal.

Nesse sentido, o Praça procura trabalhar com o conceito de tecnologia cívica: utilizar recursos digitais não somente para tornar processos mais eficientes, mas para ampliar a capacidade das pessoas de participar das questões relacionadas à própria comunidade.

Da reclamação individual à demanda comunitária

Existe também uma diferença importante entre registrar uma reclamação individual e construir uma demanda coletiva.

Quando um morador publica nas redes sociais uma fotografia de um problema urbano, aquela manifestação normalmente fica submetida à dinâmica daquela rede: seguidores, algoritmos, compartilhamentos e alcance.

Com o passar do tempo, a publicação pode simplesmente desaparecer em meio a milhares de outros conteúdos.

Ao concentrar registros urbanos em um ambiente pensado especificamente para essa finalidade, a lógica muda. O objetivo deixa de ser simplesmente gerar uma publicação e passa a ser mapear uma situação.

A possibilidade de outros moradores apoiarem uma demanda acrescenta outra camada ao processo.

Imagine uma rua com iluminação deficiente. Um morador registra o problema. Outros moradores da mesma região encontram a publicação e demonstram que aquela situação também os afeta.

O registro inicial passa, então, a representar uma preocupação compartilhada.

Quanto maior a participação, mais representativo pode se tornar esse mapa das necessidades percebidas pela população.

Transparência começa pela visibilidade

Um dos desafios das políticas públicas está em transformar problemas cotidianos em informações que possam ser visualizadas, organizadas e acompanhadas.

Antes de resolver um problema, é preciso saber que ele existe.

E antes de estabelecer prioridades, é necessário compreender onde estão as demandas.

O Praça aposta justamente na construção dessa visibilidade.

Se os registros forem feitos continuamente pelos moradores, a plataforma pode formar uma memória digital das situações relatadas pela comunidade.

Para o cidadão, isso representa a possibilidade de visualizar questões que não estão somente em sua rua ou bairro.

Para a comunidade, significa enxergar padrões.

E, potencialmente, para quem administra a cidade, informações produzidas pelos próprios moradores podem servir como mais um sinal sobre aquilo que está acontecendo no território.

A efetividade dessa proposta, naturalmente, dependerá da adesão da população, da qualidade dos registros e da maneira como essa informação conseguirá dialogar com os processos públicos existentes.

Praça como conceito de participação

O nome escolhido para a plataforma também carrega um significado.

Historicamente, a praça representa muito mais do que um espaço físico no centro de uma cidade.

É o lugar do encontro.

Da conversa.

Do debate.

Da convivência entre pessoas diferentes que compartilham um mesmo território.

Antes das redes sociais e das plataformas digitais, praças e outros espaços públicos estavam entre os principais ambientes onde a comunidade se encontrava e discutia seus problemas.

O Praça procura transportar parte desse conceito para o ambiente digital.

A ideia apresentada pelo projeto é a de uma infraestrutura democrática digital, recuperando simbolicamente o papel original da praça pública como espaço de participação coletiva.

Nesse novo espaço, entretanto, a discussão começa muitas vezes com algo bastante concreto: uma fotografia tirada no caminho de casa.

Uma iniciativa que começa por Indaial

É em Indaial que a iniciativa busca ganhar força.

O projeto chega com o desafio comum a praticamente todas as plataformas colaborativas: sua utilidade cresce à medida que a comunidade participa.

Quanto mais moradores registrarem situações encontradas nos bairros e quanto maior for o envolvimento das pessoas apoiando demandas, mais completo poderá se tornar o retrato construído pela plataforma.

Por isso, a divulgação também ocupa papel importante nessa fase.

Não basta existir tecnologia.É necessário que o cidadão saiba que ela existe, compreenda sua finalidade e encontre nela uma maneira útil de participar.

A proposta também levanta uma discussão relevante para o futuro das cidades: uma cidade inteligente precisa apenas de equipamentos inteligentes ou precisa também de cidadãos com ferramentas para participar das decisões sobre o lugar onde vivem?

O Praça aposta na segunda possibilidade.

Um celular, uma fotografia e uma cidade inteira para observar

Talvez a principal característica da iniciativa esteja justamente na simplicidade da ideia.

Não é necessário que o cidadão compreenda sistemas complexos de gestão urbana para perceber que existe um buraco diante de sua casa.

Não precisa conhecer contratos de iluminação pública para identificar uma rua escura.

Nem dominar planejamento urbano para perceber uma calçada que impede a passagem segura de uma pessoa. Ele precisa apenas conhecer aquilo que ninguém conhece melhor do que quem vive em uma cidade: o seu próprio cotidiano. É desse conhecimento distribuído entre milhares de moradores que o Praça pretende construir seu mapa.

Cada cidadão observa uma pequena parte da cidade.

Quando essas observações são reunidas, entretanto, elas podem formar algo muito maior.

Uma fotografia mostra um problema.

Centenas de fotografias começam a mostrar uma cidade.

E quando as pessoas conseguem não apenas enxergar essas situações, mas também registrá-las, localizá-las e apoiar coletivamente aquilo que consideram importante, a tecnologia deixa de ser apenas uma ferramenta digital.

Ela passa a ser uma ferramenta de participação.

Em Indaial, o Praça inicia justamente com essa proposta: colocar o cidadão novamente no centro da discussão sobre a cidade em que vive — não apenas como usuário dos serviços públicos, mas como alguém capaz de observar, registrar e dar voz às questões do seu próprio território.

Venha conhecer o Praça. https://pracaapp.com.br

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