
Hub Social, iniciativa do SESI/SC, mobiliza empresas para direcionar recursos a prioridades definidas pela própria região; educação foi escolhida como primeiro foco
Uma das regiões mais industrializadas de Santa Catarina começa a organizar uma nova frente de atuação empresarial: transformar parte da capacidade de investimento das empresas em projetos sociais estruturados e alinhados às necessidades do território. Foi com esse objetivo que o SESI/SC lançou o Hub Social no Vale do Itajaí, reunindo 16 indústrias para definir uma prioridade comum e criar uma agenda de investimento social para a região.
A iniciativa parte de uma oportunidade econômica. A área de abrangência da Vice-Presidência Regional da FIESC no Vale do Itajaí reúne 11 municípios, com PIB de R$ 30,4 bilhões e 111 mil trabalhadores na indústria, segundo dados do Observatório FIESC.
É nesse ambiente que o SESI/SC propõe uma mudança na lógica do investimento social: em vez de iniciativas isoladas, empresas podem se unir para identificar problemas prioritários, estruturar projetos e direcionar recursos para ações capazes de produzir resultados mensuráveis.
“O Vale tem uma indústria forte, empreendedora e com capacidade de investimento. O Hub Social cria uma oportunidade para transformar parte dessa força econômica em desenvolvimento social. Não estamos falando apenas de doar recursos, mas de identificar onde eles podem fazer mais diferença e construir, junto com as empresas e a comunidade, projetos que deixem resultados para a região”, afirma Ulrich Kuhn, vice-presidente regional da FIESC no Vale do Itajaí.
Hub para mobilizar a indústria
A implantação do Hub Social no Vale do Itajaí contou com o apoio do Sr. Ulrich Kuhn, Vice Presidente da FIESC Regional Vale do Itajai. O objetivo foi aproximar o programa da realidade empresarial do Vale e estimular a participação conjunta das indústrias.
A articulação é especialmente relevante em uma região marcada pela presença de empresas de diferentes portes e segmentos e por cadeias produtivas consolidadas. Para Kuhn, essa diversidade pode se transformar em uma vantagem quando empresas deixam de atuar individualmente e passam a compartilhar prioridades.
“O desenvolvimento de uma indústria depende de pessoas qualificadas, educação, saúde e comunidades fortes. Quando as empresas conseguem unir esforços em torno dessas questões, o investimento social ganha escala e passa a contribuir também para a sustentabilidade do próprio ambiente de negócios”, destaca.
Potencial de investimento ainda é pouco aproveitado
O programa também busca enfrentar um problema nacional: a existência de recursos disponíveis para investimento social que não chegam integralmente aos projetos.
Em Santa Catarina, somente o potencial de utilização do IRPJ para investimentos sociais pode alcançar R$ 670 milhões. Atualmente, apenas cerca de 20% desse potencial é utilizado.
Além do Imposto de Renda, o Hub Social poderá conectar projetos a recursos das próprias empresas e a fontes de financiamento e fomento, como FINEP e Fapesc.
“Existe recurso disponível, mas muitas vezes falta conexão entre quem tem capacidade de investir e quem tem uma solução para um problema social. O Hub atua justamente nessa lacuna. O SESI ajuda a organizar essa conexão para que o investimento tenha mais estratégia, escala e capacidade de gerar impacto”, explica Daniel Tenconi, superintendente do SESI/SC.
Educação é a primeira prioridade do Vale
No primeiro encontro, realizado em agosto, participaram 16 indústrias, entre elas WEG, Bosch e Texneo. A educação foi escolhida como prioridade para o desenvolvimento de projetos na região.
A partir da definição do tema, o SESI/SC apoiará a identificação e estruturação de iniciativas que possam ser apresentadas às empresas e conectadas às diferentes fontes de recursos.
Para Ulrich Kuhn, a escolha também dialoga diretamente com um dos principais desafios enfrentados pela indústria: a formação de pessoas. “Quando uma empresa investe em educação, ela não está olhando apenas para uma necessidade social. Está ajudando a construir as condições para que a própria região continue crescendo. Uma indústria competitiva precisa de pessoas preparadas, e uma comunidade desenvolvida precisa de oportunidades. O investimento social pode conectar essas duas agendas”, afirma.
A relação entre formação e competitividade já aparece como uma preocupação concreta da indústria catarinense. No Vale do Itajaí, a FIESC tem ampliado ações de educação profissional e aproximação com as empresas, enquanto a escassez de mão de obra qualificada permanece entre os desafios do setor.
Modelo será levado para outras regiões
Depois do Vale do Itajaí, o SESI/SC levará o Hub Social a outras regiões do Estado. O próximo encontro será realizado nesta quinta-feira (20), das 8h30 às 11h, no SESI Moinho, em Joinville, com participação de empresas como ArcelorMittal, Tigre e Tupy.
A proposta é criar uma rede capaz de aproximar empresas, organizações sociais e poder público, fazendo com que cada região defina suas próprias prioridades e encontre os caminhos para financiar projetos de maior impacto.
Para a FIESC, a experiência do Vale mostra como a liderança empresarial regional pode funcionar como elo entre uma iniciativa estadual e as necessidades concretas do território.
“Nosso papel foi ajudar a fazer essa conexão acontecer. O SESI tem a metodologia, a estrutura e a capacidade de organizar o Hub. A Vice-Presidência Regional tem a proximidade com as empresas e o conhecimento da realidade local. Quando essas duas forças se encontram, conseguimos mobilizar a indústria para uma agenda que interessa a toda a sociedade”, conclui Kuhn.
Indústrias e organizações interessadas em participar do Hub Social podem se inscrever pelo site do SESI/SC.


