Emprego não cura crack: o autoengano das políticas para moradores de rua
Por Bruno Souza*
Poucas ideias são tão emocionalmente sedutoras quanto a de “dar emprego para moradores de rua”. A proposta soa humana, solidária, civilizada. Apela ao nosso melhor instinto moral e, justamente por isso, costuma ser recebida com aplausos imediatos. Quem, em sã consciência, ousaria se opor a uma iniciativa que promete dignidade, renda e reinserção social para quem vive nas ruas?
O problema começa quando confundimos boas intenções com bons resultados.
Projetos desse tipo se multiplicam pelo Brasil exatamente na mesma proporção em que cresce a população em situação de rua. Florianópolis não é exceção. Pelo contrário: repete um roteiro já testado dezenas de vezes em outras cidades. A pergunta que raramente é feita é simples e incômoda: se essas políticas fun...









