
Data, 16.02.2023 – A epilepsia é uma doença que afeta em torno de 10% da população mundial, com uma incidência maior na infância, sendo duas vezes mais frequente do que na população adulta. Existem inúmeras causas para as crises convulsivas, dependendo do tipo de crise ou do cenário da mesma, ou seja, se ela é provocada ou não, explica o médico neurologista, Ismael Búrigo, membro da Associação Brusquense de Medicina – ABM. Ainda segundo o especialista, as convulsões sintomáticas ou provocadas, por exemplo, podem ocorrer por traumatismos crânio encefálicos, hemorragias cerebrais, infecções, como meningite, alterações metabólicas como hipoglicemia e hiponatremia, intoxicações medicamentosas ou drogas, tumores, entre outras. Já as causas não provocadas, envolvem mecanismos genéticos, estruturais e até desconhecidos.
De acordo com o médico Ismael Búrigo, precisamos entender que a crise convulsiva é caracterizada por uma mudança repentina no comportamento causada pela hipersincronização elétrica das redes neuronais no córtex cerebral e a Epilepsia é quando ocorrem pelo menos duas convulsões com um intervalo maior de 24h entre elas. É importante saber também que, existem diferentes tipos de convulsões, mas essas crises tendem a ser curtas, com uma duração de no máximo 2 minutos, compostas geralmente por movimentos positivos, como espasmos e tremores, e pode ocorrer liberação esfincteriana, além de alterações de consciência após a crise, como sonolência ou amnésia.
“As crises convulsivas podem ser divididas em focais, com a consciência mantida ou não, e crises generalizadas. Crises focais são aquelas que se iniciam em uma parte específica do cérebro e dependendo desta parte os sintomas serão diferentes – movimentos rítmicos de um braço ou mastigatórios, distorções visuais em cores, alterações comportamentais. Já as convulsões generalizadas iniciam nos dois hemisférios cerebrais simultaneamente e são percebidas como espasmos tônicos-clônicos generalizados, que é a forma mais conhecida pela população geral e a ausência que é aquela onde existe uma parada comportamental transitória”, explica o médico.
TRATAMENTO
Existem diversos medicamentos para o tratamento da crise convulsiva, tanto agudamente quanto para evitar que as crises voltem a ocorrer. Segundo o neurologista, todos estes medicamentos tem uma eficácia muito boa e para casos refratários e específicos, existem cirurgias para o controle das convulsões.
O médico lembra ainda que, “as crises tendem a ser curtas e, na grande maioria das vezes, remitem espontaneamente, portanto, ao verificar que a pessoas apresenta este quadro, deve-se acomodar o paciente no chão, protegendo a cabeça com uma toalha ou travesseiro, para evitar traumas; retirar qualquer coisa que possa trazer risco de queda ou trauma de perto do paciente e aguardar. Pacientes com uma primeira convulsão sempre devem ser encaminhados ao hospital para avaliação da causa precipitante”.


