
Atualmente, estamos vivendo uma fase em que as palavras perderam o seu verdadeiro significado e passaram a ser utilizadas de maneira ideológica e partidarista. É triste constatar que, quando usamos termos como sustentabilidade, preservação de áreas verdes, conservação da biodiversidade, mudanças climáticas, entre tantos outros, dependendo de quem os recebe, imediatamente surge um preconceito. Torna-se comum ouvir ou perceber a ideia de que “lá vem o ambientalista do lado tal”, aquele que supostamente acredita que vamos abraçar árvores e viver em um mundo utópico.
O fato é que todos nós vivemos no mesmo planeta. O Brasil, inclusive, é um país precursor em legislação ambiental e possui um sólido embasamento técnico e científico para aplicar aquilo que, de fato, é unânime e necessário para todos. Basta acessarmos a coerência e a ética, sustentadas por valores nobres, como o respeito à essência da vida que nos nutre.
Repensar o que é ideal para cada indivíduo se faz urgente, pois, quando falamos em cuidar do que temos hoje para repassar essa missão às futuras gerações, estamos tratando de algo muito sério e que, de fato, é o que mais importa.
A sustentabilidade é a base da economia, e algumas grandes corporações já compreenderam essa realidade, passando a investir principalmente em fatores climáticos, diante dos elevados prejuízos econômicos, sociais e ambientais que vêm ocorrendo. Assim como a sustentação de uma casa não se mantém com uma única estrutura, sendo necessárias bases sólidas para que ela permaneça bem edificada e em pé, a sustentabilidade também se apoia em pilares fundamentais: a responsabilidade ambiental, econômica e social, desdobrando-se ainda nas dimensões histórica e cultural, de forma intersetorial.
Esse é o exercício da cidadania: manter as bases firmes da casa. Independentemente de que lado estejamos, é nossa obrigação legal e moral desenvolver com sustentabilidade. Isso só é possível quando mantemos a ética e o respeito pela vida.
Talvez nos falte um pouco de sabedoria. A palavra Sophia vem do grego antigo sophía, que significa “sabedoria”, e está etimologicamente relacionada a sophós, que significa “sábio”, “habilidoso”, “inteligente”.
Independentemente de qualquer crença, somos interdependentes. As águas que brotam de pequenas nascentes, ao final, se unem ao grande oceano. Poderíamos encerrar com uma citação de um escritor, pesquisador ou poeta que nos conduzisse à reflexão. No entanto, não me arrisco: as palavras, antes carregadas de sentido e simbologia, passaram a ser filtradas por lentes ideológicas, perdendo a capacidade de unir e provocar reflexão genuína e inteligente.

Por: Mariléia Selonke
Possui graduação em Gestão Ambiental pelo Centro Universitário Leonardo da Vinci (UNIASSELVI, 2014) e especialização em Análise Ambiental pela Universidade do Vale do Itajaí (UNIVALI, 2017). Atuou como membro titular da Câmara Técnica de Educação Ambiental do Conselho Estadual de Meio Ambiente de Santa Catarina (CTEA/CONSEMA) e dos Grupos de Trabalho de Educação Ambiental (GTEA RH 06 e GTEA RH 07). Coordenou o Projeto Resgate da Árvore Maçaranduba e exerceu a função de Assessora de Educação Ambiental no Consórcio Intermunicipal do Médio Vale do Itajaí (CIMVI), adquirindo experiência em políticas públicas municipais de educação ambiental e no desenvolvimento de projetos socioambientais.
Atualmente, é responsável pela Migrar Assessoria em Gestão e Educação Ambiental, empresa voltada a treinamentos na área de gestão de resíduos, consultoria para implantação de políticas públicas e ações alinhadas às práticas ESG. Atua também na curadoria de conteúdos e projetos para empresas na área de sustentabilidade, conectando inovação, propósito e impacto socioambiental positivo.
É criadora do Maricast, programa de educomunicação que aborda temas relacionados a meio ambiente, sociedade e governança, e membro signatária do Movimento ODS/SC.

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