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A estratégia silenciosa que grandes patrimônios usam antes de mudanças tributárias

Sempre que surge a discussão sobre aumento de impostos no Brasil, principalmente sobre renda mais alta e patrimônio, uma ideia costuma ganhar força: a de que grandes fortunas sempre encontram maneiras de “escapar” da tributação. Mas, na maioria das vezes, o que acontece é bem diferente. Grandes patrimônios raramente são construídos ou preservados apenas com boas decisões de investimento. O que faz diferença, na prática, é algo menos visível: organização e planejamento. Famílias com patrimônio relevante não costumam esperar mudanças na lei para tomar decisões. Elas se antecipam. O debate sobre tributação de grandes patrimônios não acontece apenas no Brasil. Nos últimos anos, diversos países passaram a discutir formas de ampliar a arrecadação sobre rendas mais altas, heranças e estruturas patrimoniais. No Brasil, propostas envolvendo tributação de dividendos, mudanças no imposto sobre herança (ITCMD) e ajustes na carga tributária de altas rendas voltaram ao centro das discussões econômicas, reforçando a importância de planejamento financeiro e patrimonial de longo prazo.

Antecipar é diferente de reagir

Mudanças tributárias fazem parte da dinâmica de qualquer país. Governos ajustam regras, alteram alíquotas e criam novos mecanismos de arrecadação com frequência.

O problema é que muitas pessoas só começam a pensar na estrutura do próprio patrimônio quando essas mudanças já estão em vigor. Quem preserva patrimônio ao longo das gerações costuma agir de forma diferente. Essas famílias analisam sua estrutura patrimonial com antecedência, empresas, imóveis, investimentos e participações societárias, e organizam tudo de forma estratégica, considerando aspectos financeiros, jurídicos e sucessórios. Quando essa organização existe, mudanças na legislação deixam de ser uma surpresa e passam a ser apenas mais uma variável dentro do planejamento.

O custo de não planejar

No Brasil, ainda é comum que muitas decisões patrimoniais sejam tomadas apenas quando surge uma situação urgente, como uma sucessão familiar ou uma necessidade inesperada de reorganização de bens. Esse tipo de decisão, feita sob pressão, costuma trazer custos maiores. Além da burocracia, existe também o impacto de tributos como o ITCMD, imposto estadual que incide sobre heranças e doações e que pode chegar a até 8%, dependendo do estado. Há, inclusive, discussões recorrentes sobre possíveis aumentos dessa alíquota no futuro. Quando não existe planejamento, a família acaba tendo menos margem para escolher o melhor caminho.

Planejamento deixou de ser assunto apenas dos super ricos

Durante muito tempo, planejamento patrimonial foi visto como algo exclusivo de grandes fortunas.

Hoje essa realidade começa a mudar. Empresários, profissionais liberais e famílias que construíram patrimônio ao longo da vida estão percebendo que planejamento financeiro não envolve apenas investir melhor. Também envolve proteger aquilo que foi construído, organizar a sucessão familiar e criar previsibilidade para o futuro. No fim das contas, a diferença entre quem preserva patrimônio e quem enfrenta dificuldades nesse processo costuma estar em uma escolha simples. Esperar o problema aparecer. Ou se antecipar a ele. Mudanças tributárias são inevitáveis. A diferença está em quem espera por elas e quem se prepara antes.

Sobre o autor

Wilian Brambatti é mentor financeiro e especialista em planejamento patrimonial e sucessório. Com mais de 12 anos de atuação, já auxiliou mais de 2.000 famílias na organização estratégica de suas finanças, atuando nas áreas de planejamento financeiro, proteção patrimonial e sucessão familiar.