
No Dia do Profissional Têxtil, cadeia têxtil e de confecção mostra por que o trabalho continua sendo um dos principais ativos da indústria brasileira, com 1,34 milhão de empregados formais e R$ 221 bilhões movimentados em 2024
No Brasil, cada tecido produzido, cada peça confeccionada e cada inovação desenvolvida pela indústria carregam também a dimensão de uma das maiores cadeias empregadoras da indústria nacional. No Dia do Profissional Têxtil, celebrado em 12 de setembro, os números ajudam a dimensionar a importância econômica de quem atua em uma cadeia que movimentou R$ 221 bilhões em 2024 e mantém 1,34 milhão de empregados formais.
Os dados, compilados pela Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção (ABIT) a partir de levantamento do IEMI, mostram a dimensão de uma indústria que permanece estratégica para o país. Quando considerados os empregos indiretos e o efeito-renda provocado pela atividade, a cadeia alcança aproximadamente 8 milhões de pessoas.
O setor também tem participação relevante dentro da própria indústria brasileira de transformação: representa 9,2% dos trabalhadores diretamente envolvidos na produção industrial e 4,5% do valor total da produção da indústria de transformação.
Mais do que números de produção e faturamento, os indicadores revelam a dimensão de uma atividade econômica fortemente dependente de pessoas. São profissionais envolvidos em etapas que vão da produção de fibras, fios e tecidos ao acabamento, desenvolvimento de produtos e confecção, além de áreas como manutenção, engenharia, qualidade, tecnologia, logística e gestão.
Uma cadeia que gera emprego e arrecadação
A contribuição econômica do setor também aparece nos dados tributários. De acordo com a Receita Federal, as empresas enquadradas nas divisões 13 (Fabricação de Produtos Têxteis) e 14 (Confecção de Artigos do Vestuário e Acessórios), responderam, juntas, por aproximadamente R$ 20,60 bilhões em arrecadação de receitas administradas pela Receita Federal em 2025.
Desse total, cerca de R$ 10,64 bilhões correspondem à fabricação de produtos têxteis e R$ 9,97 bilhões às atividades de confecção de artigos do vestuário e acessórios.
O indicador considera os valores arrecadados pela Receita Federal atribuídos às duas divisões da Classificação Nacional de Atividades Econômicas (CNAE) e, portanto, não corresponde à arrecadação tributária total de toda a cadeia. O cálculo não contempla, por exemplo, tributos estaduais e municipais nem empresas classificadas em outros segmentos que também participam da atividade produtiva. A série da Receita Federal foi atualizada em maio de 2026 e reúne dados até 2025.
Do fio à inovação
A dimensão da indústria também pode ser medida pelo volume produzido. Em 2024, foram aproximadamente 2,2 milhões de toneladas de produtos têxteis e 8,4 bilhões de peças confeccionadas, segundo dados compilados pela ABIT a partir do IEMI.
Essa estrutura coloca o Brasil entre os países que ainda mantêm uma cadeia têxtil e de confecção diversificada, com diferentes etapas produtivas instaladas no território nacional. O resultado é uma indústria que abastece o mercado de moda, mas também participa de segmentos como esporte, saúde, automotivo, construção, decoração e produtos técnicos.
Essa diversificação vem acompanhada de uma transformação no perfil do trabalho. A incorporação de automação, inteligência artificial, novos materiais, processos mais eficientes e tecnologias voltadas à sustentabilidade aumenta a demanda por qualificação profissional e amplia a importância do conhecimento dentro das fábricas.
“Uma cadeia dessa dimensão não se mantém sozinha. Ela depende de competitividade, investimento, qualificação profissional e, principalmente, de responsabilidade nas decisões que impactam cada elo da produção. Quando preservamos as condições para que a indústria têxtil produza e se desenvolva no Brasil, estamos preservando empregos, conhecimento e uma capacidade produtiva construída ao longo de gerações”, destaca o CEO da CTM Fios.
Nesse cenário, celebrar o profissional têxtil significa reconhecer não apenas quem está diretamente diante das máquinas, mas todo o conjunto de pessoas responsável por transformar matéria-prima em produtos de maior valor agregado e com capacidade de competir em um mercado global.
Trabalho como ativo estratégico da indústria
Em um momento em que a indústria brasileira busca ampliar produtividade, inovação e competitividade, a mão de obra passa a ocupar papel ainda mais estratégico. O desafio não é apenas manter postos de trabalho, mas preparar profissionais para uma indústria que combina a experiência acumulada ao longo de décadas com novas tecnologias e processos produtivos.
A história da indústria têxtil brasileira foi construída por gerações de trabalhadores. E os números atuais mostram que essa força de trabalho continua sendo um dos principais ativos de uma cadeia que movimenta centenas de bilhões de reais, gera milhões de postos de trabalho direta e indiretamente e contribui de forma expressiva para a produção industrial brasileira.
Neste 12 de setembro, Dia do Profissional Têxtil, reconhecer essa trajetória é também reconhecer a importância econômica de uma indústria que segue produzindo, empregando, inovando e movimentando o Brasil.


