
Na política, mudanças de partido fazem parte do jogo democrático. Mas, quando elas se acumulam ao longo de uma trajetória, deixam de ser apenas uma sucessão de siglas e passam a despertar uma pergunta inevitável: o que mudou — o partido, o projeto político ou o próprio político?
Refletir é um direito desta semana decisiva ao voto.
A trajetória eleitoral de Gui Pereira, vereador de Florianópolis, oferece um caso particularmente interessante. Desde sua primeira disputa eleitoral, o político passou por DEM, PSD, PR, MDB, PSC, novamente PSD e, agora, PDT. São seis mudanças de legenda no percurso registrado.
Em 2018, pelo MDB, Gui Pereira disputou uma vaga de deputado federal e recebeu 26.364 votos em Santa Catarina, ficando como suplente. Em Florianópolis, foram 8.137 votos.
O capítulo mais recente dessa trajetória é a chegada ao PDT, legenda que, em Santa Catarina, integra uma composição de esquerda ao lado de partidos como PT, PSB, PCdoB, PV, PSOL e Rede. A aliança tem Gelson Merisio como candidato ao Governo do Estado e declarou apoio ao projeto político do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
É justamente nesse ponto que a mudança de partido ganha uma dimensão política maior.
Gui Pereira, que construiu parte de sua trajetória em legendas posicionadas em diferentes campos do espectro político, agora está inserido em uma composição que tem Lula e Merisio como referências centrais. E isso naturalmente coloca uma questão para o eleitor: como o vereador pretende apresentar essa nova identidade política?
A pergunta não é sobre o direito de mudar de partido. Esse direito existe e faz parte da democracia. A questão é sobre coerência, transparência e comunicação política.
Afinal, quando um político muda de legenda seis vezes, o eleitor pode legitimamente querer compreender quais princípios permaneceram constantes e quais foram alterados ao longo do caminho.
Também chama atenção a distância entre a dimensão da aliança política e a presença desses nomes na comunicação individual. Lula e Merisio fazem parte do contexto político do PDT em Santa Catarina, mas cabe ao próprio Gui Pereira explicar qual é, pessoalmente, sua relação política com os dois e como pretende se posicionar diante desse novo cenário.
É uma questão relevante porque, em política, a legenda é apenas parte da história. Tão importante quanto saber o número que aparece na urna é conhecer o campo político no qual aquele candidato está inserido.
Da direita à esquerda, passando por diferentes siglas e projetos, a trajetória de Gui Pereira já produziu seis mudanças de partido.
Agora, mais do que contabilizar as trocas, o eleitor pode fazer uma pergunta simples — e bastante legítima:
o que permaneceu o mesmo em Gui Pereira durante todas essas mudanças?
A resposta talvez diga mais sobre sua trajetória política do que a própria lista de partidos.

