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Uma vida vale mais do que qualquer eleição.

Quando a intolerância política ultrapassa os limites do respeito, a disputa deixa de ser apenas ideologia e passa a revelar uma crise de humanidade.

Por Fatima Rozz Mentora das Emoções / Reprogramação Emocional / Expansão da Consciência

As Eleições de 2026 deveriam nos convidar a refletir sobre democracia, liberdade de escolha e responsabilidade. No entanto, o que tenho acompanhado nas notícias e nas redes sociais tem me deixado profundamente chocada como ser humano e como profissional que trabalha com reprogramação emocional.

Um dos casos noticiados após a votação foi a morte do policial civil Emilson Ormond Souza, em Campo Novo do Parecis, no Mato Grosso. Segundo relatos iniciais divulgados pela imprensa, um homem teria perguntado quem era petista em um estabelecimento e, em seguida, efetuado disparos. O caso está sob investigação, e as circunstâncias precisam ser esclarecidas pelas autoridades. O acusado está preso.

Independentemente da conclusão das investigações, situações como essa nos obrigam a fazer uma pergunta: em que momento uma divergência política passou a valer mais do que a vida humana?

Tenho 48 anos, venho de Pombal, na Paraíba, uma cidade onde a política sempre teve presença marcante, e hoje vivo em Florianópolis. Ao longo da minha vida, acompanhei muitas disputas e opiniões diferentes. Porém, preocupa-me profundamente ver a hostilidade ganhar espaço nas relações pessoais, profissionais e comerciais.

Nas redes sociais, tenho visto manifestações de pessoas que anunciam que não querem clientes de determinada posição política, que não aceitam parcerias com quem pensa diferente ou que defendem boicotes a quem votou em outro candidato. Discordar faz parte da democracia. Escolher com quem nos relacionamos também é um direito. O que merece nossa reflexão é quando essas escolhas deixam de ser critérios legítimos de convivência e passam a alimentar a humilhação, a perseguição e o ódio contra o outro.

O voto é secreto. Cada cidadão tem o direito de escolher seus representantes conforme suas convicções, sua consciência e sua análise das propostas apresentadas. Também temos liberdade para expressar nossas opiniões políticas. O problema começa quando essa liberdade é usada para intimidar, desumanizar ou tratar quem pensa diferente como inimigo.

Precisamos compreender que posicionamento político não deveria ser uma autorização para abandonar nossos valores. Nenhum candidato merece que percamos nossa capacidade de respeitar a vida, e nenhum partido deveria ocupar um espaço tão grande em nossa identidade a ponto de nos fazer esquecer que, antes de qualquer ideologia, somos seres humanos.

Mas existe uma questão ainda mais profunda por trás de tudo isso: nossas emoções.

Como mentora das emoções, dedico meus estudos e meu trabalho a compreender como sentimos, reagimos e nos comportamos diante das situações da vida. Não acredito que o caminho seja tentar permanecer feliz o tempo inteiro, fingir que nada nos incomoda ou reprimir tudo aquilo que consideramos negativo.

A raiva existe. A frustração existe. A indignação, o medo, a tristeza e a decepção também fazem parte da experiência humana. Sentir essas emoções não nos torna pessoas ruins. O que precisamos aprender é a reconhecer o que sentimos e decidir como vamos agir a partir disso.

Uma emoção não precisa se transformar em uma atitude destrutiva.

Quando acumulamos tensões, ignoramos nossos limites e não encontramos maneiras saudáveis de lidar com nossos sentimentos, podemos reagir impulsivamente diante de uma situação que nos provoca. Isso não significa que todas as pessoas com raiva se tornarão violentas, nem que a violência seja consequência inevitável de emoções reprimidas. Significa que desenvolver consciência emocional pode nos ajudar a interromper reações impulsivas e assumir a responsabilidade pelas nossas escolhas.

Estamos vivendo um período em que precisamos aprender a lidar melhor com a intensidade das informações, das cobranças, dos conflitos e das emoções que atravessam nossas vidas. Na minha visão profissional, esse aprendizado representa uma oportunidade de amadurecimento: não eliminar um lado de nós para exibir apenas o outro, mas desenvolver equilíbrio, discernimento e responsabilidade.

E como podemos começar?

Primeiro, reconhecendo a emoção antes de agir. Se uma discussão despertar muita raiva, interrompa a conversa, afaste-se por alguns minutos, respire devagar e permita que a intensidade diminua antes de responder. Escrever o que está sentindo, caminhar em um ambiente tranquilo ou conversar com alguém de confiança também pode ajudar a organizar os pensamentos.

Segundo, aprendendo a estabelecer limites. Uma palavra que considero fundamental no meu trabalho é “não”.

Não aceito ser desrespeitada. Não permito que ultrapassem meus limites. Não quero alimentar uma discussão destrutiva. E não vou agir de uma maneira que coloque outra pessoa em risco.

Esse “não” também precisa ser dirigido a nós mesmos.
Não vou permitir que a raiva decida por mim.
Não vou transformar uma divergência em perseguição.
Não vou colocar a admiração por um candidato acima da minha própria consciência.

Terceiro, compreendendo que procurar ajuda profissional é uma atitude de responsabilidade. Psicólogos, Terapeutas, Mentores desenvolvimento pessoal profissionais habilitados podem auxiliar no desenvolvimento de recursos para lidar com emoções intensas, conflitos e comportamentos prejudiciais. O importante é reconhecer quando precisamos de apoio e estar dispostos a aprender.

A ideologia pode separar opiniões, mas não deveria destruir vidas.

O problema não é defender um candidato. É esquecer os próprios valores para defendê-lo. De que adianta vencer uma discussão política e perder a própria humanidade?

O Brasil não precisa de mais ódio. Precisa de pessoas capazes de discordar sem destruir, de defender suas convicções sem perseguir e de reconhecer que a liberdade de escolha também pertence àqueles que pensam de maneira diferente.

Não escrevo estas palavras para defender a direita ou a esquerda. Escrevo como mulher, cidadã, eleitora e profissional que acredita na possibilidade de construirmos relações mais conscientes e respeitosas.

Que possamos usar os próximos anos não para preparar novas brigas, mas para aprender a lidar melhor com aquilo que sentimos. Que, nas próximas eleições, possamos escolher nossos representantes sem transformar nossos vizinhos, clientes, amigos, familiares ou desconhecidos em adversários pessoais.

E que ninguém precise perder a vida por uma escolha política.

Nenhum voto justifica um funeral.

Esta é a reflexão que deixo a você: se percebe que suas emoções estão afetando suas relações, suas decisões ou a maneira como trata as pessoas, procure ajuda. Aprender a reconhecer seus limites, controlar seus impulsos e respeitar as diferenças pode transformar não apenas a sua vida, mas também a vida de quem convive com você.

Chegou a hora de nos prepararmos para uma nova etapa de amadurecimento humano: aquela em que a força não está em vencer o outro, mas em conseguir governar as próprias atitudes.

Porque uma vida vale mais do que qualquer eleição.

Por Fatima Rozz

Mentora das Emoções | Expansão da Consciência | Palestrante |

Sou natural de Pombal, na Paraíba, Nordeste do Brasil, e moro em Florianópolis, Santa Catarina, há oito anos. Sou mãe de uma adolescente de 14 anos, terapeuta, mentora das emoções, palestrante e escritora, dedicada ao estudo das emoções, do sentir humano e da expansão da consciência.

Durante 18 anos, enfrentei a depressão e vivi desafios que transformaram profundamente a minha história. Foi por meio do meu processo de tratamento e da reprogramação emocional que encontrei um novo caminho para a minha vida. A partir dessa experiência e dos conhecimentos que adquiri, desenvolvi o Método ROZZ, fundamentado nos Sete Segredos para o Equilíbrio do Corpo e das Emoções.

Há dois anos, dedico-me profissionalmente a compartilhar meus conhecimentos e ajudar pessoas a compreenderem melhor suas emoções e a desenvolverem novas formas de lidar com os desafios da vida. Meu trabalho é voltado especialmente para o coração, o sentir e a maneira como reagimos emocionalmente diante de cada situação.

Acredito que compreender nossas emoções é um passo importante para construir relações mais saudáveis, desenvolver o autoconhecimento e buscar mais equilíbrio nas diferentes áreas da vida, incluindo a saúde, os relacionamentos e a vida financeira. Por isso, continuo estudando e aprofundando meus conhecimentos em referências nacionais e internacionais, buscando ampliar minha contribuição para a transformação pessoal e a expansão da consciência.

Como colunista na área terapêutica, quero compartilhar reflexões, conhecimentos e experiências que ajudem os leitores a compreenderem melhor a si mesmos e a importância das emoções em suas vidas.

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