
Por Fatima Rozz
Mentora das Emoções | Expansão da Consciência | Reprogramação Emocional
Existe uma realidade sobre a qual precisamos conversar com mais responsabilidade: muitas pessoas que convivem com transtornos mentais enfrentam, dentro da própria casa, algumas das maiores dificuldades para sua recuperação.
O lugar que deveria representar proteção, acolhimento e segurança acaba se tornando, muitas vezes, um ambiente de cobranças, julgamentos, agressões verbais e incompreensão.
Conheço essa realidade não apenas pelos relatos dos meus clientes, mas também pela minha própria história.
Há aproximadamente 25 anos, fui internada em uma instituição psiquiátrica. Durante aquele período, vivi situações extremamente dolorosas. Sofri violência sexual praticada por funcionários que deveriam cuidar e proteger os internos. Presenciei companheiras de internação saírem grávidas daquele estabelecimento e também vivenciei episódios de espancamento e agressões físicas que deixavam marcas nos corpos das pessoas internadas.
Era um lugar que deveria oferecer tratamento, mas que, em determinadas situações, produzia ainda mais sofrimento.
Passei aproximadamente 18 anos convivendo com transtornos mentais e cheguei a receber seis diagnósticos. Sei o que significa estar em um momento de vulnerabilidade, precisar de ajuda e, justamente quando mais se precisa de acolhimento, encontrar incompreensão.
Hoje, olhando para essa trajetória, percebo que existe uma questão que precisa ganhar espaço na sociedade: quem cuida também precisa aprender a cuidar.
Quando a família se torna parte do sofrimento.
Ao longo dos meus atendimentos, tanto presenciais quanto online, conheci homens e mulheres de diferentes regiões do Brasil e também de outros países. Muitos trouxeram relatos semelhantes: o maior sofrimento não estava apenas no diagnóstico, mas também na convivência familiar.
Eram pessoas constantemente cobradas porque não conseguiam realizar determinadas atividades, não tinham disposição para trabalhar, não conseguiam organizar a casa ou simplesmente não conseguiam levantar da cama.
Ouvi também familiares dizerem: “Por que não faz nada?”, “Por que não se levanta?”, “Por que não se esforça?”, “Isso é falta de vontade!”.
Essas cobranças revelam uma falta de compreensão sobre o que pode acontecer com alguém que enfrenta um transtorno mental.
Em determinados períodos, a pessoa pode apresentar fadiga intensa, dores, alterações no sono, dificuldades de concentração, falta de energia e limitações importantes para realizar tarefas cotidianas. O corpo e a capacidade de funcionamento não acompanham necessariamente as expectativas de quem está ao redor.
Não é simplesmente uma questão de querer.
Uma pessoa que está enfrentando uma condição de saúde precisa de avaliação, tratamento, compreensão e respeito. Não precisa ser constantemente lembrada daquilo que ainda não consegue fazer.
Por isso, comecei a desenvolver uma forma de trabalho que considera não apenas a pessoa diagnosticada, mas também quem convive com ela. Minha proposta é trabalhar orientações e estratégias de desenvolvimento emocional para ambos, respeitando os limites e as necessidades de cada um.
Acredito, inclusive, que precisamos ampliar as políticas públicas para oferecer acompanhamento psicológico e orientação aos familiares de pessoas com transtornos mentais.
Maridos, esposas, mães, pais, filhos e irmãos precisam aprender a compreender essas condições. A família não precisa ser perfeita, mas precisa estar disposta a aprender.
Um trabalho com a pessoa e também com quem cuida dela.
Quero compartilhar uma experiência recente dos meus atendimentos, preservando a identidade das pessoas envolvidas.
Atualmente, acompanho uma adolescente de 17 anos, que apresenta diagnóstico de autismo, TDAH e ansiedade. Ela já possui acompanhamento psiquiátrico, neurológico e psicológico, além de acompanhamento integrativo. Há aproximadamente três meses, iniciou também um trabalho comigo, voltado ao desenvolvimento emocional e à expansão da consciência.
Sua mãe também iniciou o acompanhamento, e durante esse processo percebi que não bastava trabalhar somente com a adolescente. A mãe também precisava de atenção.
Em determinado atendimento, ela trouxe novamente algumas dificuldades de convivência e as cobranças relacionadas às atividades que a filha não conseguia realizar da maneira esperada.
Minha orientação foi: vamos olhar para você também?
Expliquei que a filha já estava recebendo diferentes formas de acompanhamento e apresentava avanços importantes. Segundo os relatos da família, ela já havia melhorado significativamente em aspectos da rotina, voltado a cuidar da própria higiene, frequentar a escola e iniciado um curso profissionalizante, demonstrando interesse em construir sua independência.
Um dos episódios que mais me marcou aconteceu durante uma avaliação desse curso. A adolescente teve uma crise de ansiedade antes da prova, mas lembrou de uma técnica que trabalhamos juntas: fechar os olhos, respirar profundamente e sorrir.
Ela conseguiu recuperar a calma, realizar a avaliação e conquistar nota 9.
Para mim, esse episódio representa a importância de desenvolver recursos para lidar com as emoções, sempre como complemento aos acompanhamentos profissionais que a pessoa já realiza.
Diante desses avanços, conversei com a mãe sobre a necessidade de também cuidar da própria vida. Propus que organizássemos uma rotina para ela reservar momentos para si: cuidar das plantas, passear, cuidar dos cabelos, fazer as unhas, descansar e retomar atividades que lhe proporcionassem prazer.
Afinal, a mãe também precisa existir além da função de cuidadora.
Hoje, realizamos acompanhamentos semanais, tanto com a adolescente quanto com a mãe. O trabalho é diferente para cada uma, respeitando suas necessidades e objetivos.
A mãe já conseguiu perceber que não basta cobrar a evolução da filha. Ela também precisa construir a própria evolução.
Os resultados relatados por ambas têm sido muito positivos, e as duas expressaram gratidão pelo acompanhamento.
Esse é apenas um exemplo de como o cuidado pode alcançar toda a dinâmica familiar.
A paz também faz parte do tratamento.
Depois de tantos anos enfrentando dificuldades, consegui transformar profundamente minha relação com a vida.
Após um período de tratamento e dedicação ao meu próprio desenvolvimento, consegui superar cinco dos seis diagnósticos que havia recebido. Atualmente, convivo com o transtorno bipolar, que está equilibrado. Continuo com acompanhamento psiquiátrico, utilizo a medicação prescrita e mantenho acompanhamento psicanalítico e práticas integrativas como recursos complementares.
Cuido da alimentação, faço meditações, procuro estar em contato com a natureza e mantenho atividades que contribuem para meu equilíbrio.
Mas existe algo que aprendi e que considero um dos pontos mais importantes da minha trajetória: a paz.
No ano passado e no início deste ano, passei por situações familiares bastante desgastantes. Os conflitos afetaram meu equilíbrio e cheguei a procurar meu psiquiatra acreditando que precisaria aumentar a medicação.
A orientação dele foi diferente. Ele explicou que eu precisava descansar, diminuir o ritmo e recuperar minha tranquilidade.
Eu estava envolvida com livros, palestras, eventos, atendimentos e muitos outros compromissos. Fazia tanto pelos outros que, em determinados momentos, esquecia de respeitar meus próprios limites.
Foi quando comecei a reduzir minha agenda, estabelecer limites e me afastar de situações e relacionamentos que me desgastavam.
Minha separação também teve relação com essa necessidade de mudança. Um dos pontos importantes foi a dificuldade de construir, dentro do relacionamento, uma disposição mútua para buscar ajuda profissional e trabalhar os conflitos pessoais e familiares.
Aprendi que gostar de alguém não significa precisar permanecer em uma relação que prejudica seu equilíbrio.
Hoje, enquanto escrevo este artigo, estou ouvindo música instrumental. É uma prática simples que me ajuda a desacelerar e tornar o momento mais agradável.
Recomendo que cada pessoa encontre atividades que proporcionem tranquilidade: ouvir música, caminhar, descansar, contemplar a natureza, respirar com calma e respeitar os próprios limites.
A paz não substitui o tratamento médico, mas pode ser uma aliada muito importante na qualidade de vida.
Precisamos aprender a equilibrar nossas emoções.
Vivemos em uma sociedade marcada por excesso de cobranças, conflitos, preocupações financeiras e relacionamentos desgastantes.
Também precisamos olhar para nossos hábitos alimentares, o consumo excessivo de produtos ultraprocessados, a falta de descanso e a maneira como nos relacionamos.
Acredito que a expansão da consciência passa pela capacidade de rever nossas atitudes, desenvolver nossa percepção e aprender a viver com mais responsabilidade emocional.
A glândula pineal, localizada no cérebro, participa da regulação do nosso relógio biológico por meio da produção de melatonina. Existem estudos sobre suas funções fisiológicas, e também diferentes interpretações filosóficas e espirituais sobre seu significado. Na minha visão, a expansão da consciência está relacionada à oportunidade de desenvolver nossa percepção, autoconhecimento e conexão com aquilo em que acreditamos.
Foi por essa busca que me tornei mentora das emoções.
Meu trabalho está fundamentado em três pilares: corpo, mente e consciência. Acredito que precisamos aprender a reconhecer nossas emoções sem tentar eliminar aquelas que consideramos negativas.
O medo tem sua importância. A raiva também. A insegurança pode nos alertar sobre situações que merecem atenção. Até mesmo a tristeza tem seu lugar na experiência humana.
O problema não está em sentir essas emoções, mas em não compreender como lidar com elas.
Minha proposta é ajudar as pessoas a desenvolverem recursos para encontrar equilíbrio, respeitando seus processos individuais e os tratamentos de saúde necessários.
Depois de experimentar mudanças significativas na minha própria vida, decidi compartilhar conhecimentos e práticas que me ajudaram durante minha trajetória. Hoje, também estou preparando meu segundo livro, sobre os Sete Segredos do Equilíbrio das Emoções e do Corpo.
Uma reflexão para quem cuida e para quem precisa de cuidado.
Não escrevo este artigo para condenar famílias, apontar culpados ou dizer que todas as pessoas que convivem com alguém diagnosticado estão despreparadas.
Escrevo porque acredito que precisamos mudar a maneira como tratamos o sofrimento humano.
Se você tem alguém na família com um transtorno mental, procure informação. Busque orientação profissional. Aprenda a reconhecer os limites daquela pessoa e também os seus próprios limites.
Se você convive com algum diagnóstico, não tenha vergonha de procurar ajuda. Você merece respeito, acompanhamento e uma vida com dignidade.
E se você não tem nenhum diagnóstico, não significa que não precise cuidar da sua saúde emocional.
Quero deixar uma mensagem: pare de julgar quem está enfrentando dificuldades. E, principalmente, pare de julgar a si mesmo.
Acolha suas emoções. Respeite seu tempo. Procure ajuda quando necessário. Aprenda a descansar e não transforme sua vida em uma disputa permanente.
A recuperação não acontece por mágica e não depende apenas da vontade. Exige cuidado, acompanhamento adequado, condições favoráveis e, muitas vezes, uma rede de apoio preparada.
O primeiro passo é reconhecer que precisamos de ajuda e estar abertos a construir mudanças.
Se você é familiar de alguém que enfrenta transtornos mentais, ou se está passando por esse processo, saiba que existem caminhos de acolhimento, orientação e desenvolvimento emocional.
Quem está doente precisa de cuidado, não de acusação. Quem cuida também precisa de apoio, orientação e acolhimento.
Se levantem, humanos. Todos merecemos cuidado. Todos merecemos respeito. Todos merecemos a oportunidade de viver com mais equilíbrio, tranquilidade e dignidade.
Porque, no final, uma das maiores riquezas que podemos construir nesta vida é ter paz no coração.
Por Fatima Rozz

Mentora das Emoções | Expansão da Consciência | Palestrante |
Sou natural de Pombal, na Paraíba, Nordeste do Brasil, e moro em Florianópolis, Santa Catarina, há oito anos. Sou mãe de uma adolescente de 14 anos, terapeuta, mentora das emoções, palestrante e escritora, dedicada ao estudo das emoções, do sentir humano e da expansão da consciência.
Durante 18 anos, enfrentei a depressão e vivi desafios que transformaram profundamente a minha história. Foi por meio do meu processo de tratamento e da reprogramação emocional que encontrei um novo caminho para a minha vida. A partir dessa experiência e dos conhecimentos que adquiri, desenvolvi o Método ROZZ, fundamentado nos Sete Segredos para o Equilíbrio do Corpo e das Emoções.
Há dois anos, dedico-me profissionalmente a compartilhar meus conhecimentos e ajudar pessoas a compreenderem melhor suas emoções e a desenvolverem novas formas de lidar com os desafios da vida. Meu trabalho é voltado especialmente para o coração, o sentir e a maneira como reagimos emocionalmente diante de cada situação.
Acredito que compreender nossas emoções é um passo importante para construir relações mais saudáveis, desenvolver o autoconhecimento e buscar mais equilíbrio nas diferentes áreas da vida, incluindo a saúde, os relacionamentos e a vida financeira. Por isso, continuo estudando e aprofundando meus conhecimentos em referências nacionais e internacionais, buscando ampliar minha contribuição para a transformação pessoal e a expansão da consciência.
Como colunista na área terapêutica, quero compartilhar reflexões, conhecimentos e experiências que ajudem os leitores a compreenderem melhor a si mesmos e a importância das emoções em suas vidas.
Onde me encontrar
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