
Para tentar amenizar a crise, o governo argentino recentemente impôs restrições a compras no exterior e estipulou o prazo de seis meses para o pagamento das importações. Essa medida começou a gerar preocupação no Brasil e em Santa Catarina, já que o país vizinho é o terceiro maior comprador dos produtos do Estado. Até 30 de setembro de 2022 os pagamentos das mercadorias exportadas ao país só serão liberados após 180 dias.
A medida tenta limitar as importações, de modo a conter a saída para manter o nível de reservas internacionais. Em maio, a Argentina registrou o maior número de importações da história — o aumento foi de 53,1%. Em 2022, as exportações de Santa Catarina para a Argentina já somaram 389,4 milhões de dólares, segundo dados do Observatório Fiesc. O volume de vendas para o país vizinho só perde para os Estados Unidos e a China. Entre os produtos mais exportados para a Argentina, estão papel, cerâmica, carne suína e motores elétricos.
Para a presidente da Câmara de Comércio Exterior da Fiesc, Maria Teresa Bustamante, ainda não é possível mensurar perdas nas exportações para a Argentina, já que a medida é recente — anunciada em 27 de junho. Embora os exportadores sofram uma redução no volume de venda, ela acredita que os impactos não serão tão grandes para o Estado e a relação econômica com o país vizinho deve continuar forte. — Sem dúvida nenhuma, pegou os exportadores de surpresa.
A retenção das divisas, devem fazer com que os contratos que estavam firmados, tenham que ser renegociados. Vai demorar para os exportadores receberem os pagamentos […] As exportações de uma maneira geral vão ser afetadas pela redução de volume, mas não devem ter efeitos fortes a longo prazo — disse a presidente da Câmara de Comércio Exterior da Fiesc. Outro ponto importante é que Santa Catarina compra mais do que vende para a Argentina. Em 2022, o total de importações somou mais de 850 milhões de dólares, segundo o Observatório Fiesc. Nesse quesito, o país vizinho também está na terceira posição. China e Chile são os países que mais vendem produtos para o Estado.
Fonte: NSC


